domingo, 6 de agosto de 2017

46 - O Anjo Exterminador (El Ángel Exterminador) - México (1962)


Direção: Luis Buñuel
Após uma extravagante e farta refeição, os convidados se sentem estranhamente incapazes de deixar a sala de jantar e, nos dias que se seguem, pouco a pouco, caem as máscaras de civilização e virtude e o grupo passa a viver como animais.


Vi esse filme no mesmo dia em que visitei as encostas do Barro Branco, na periferia de Salvador, onde, num dia de chuva, houve deslizamento de terra e um poste caiu sobre uma casa - nesse mesmo local, há dois anos, 22 pessoas morreram em um desabamento. A mesma chuva, o mesmo risco.

Ainda assim, pessoas ainda moravam naquele local, em cacetes armados na beira do precipício.

E elas permaneciam lá, por conta de meio tablete de falta de força para sair, misturado com litros de "não ter para onde ir". Como no filme de Buñuel, elas não conseguiam sair daquele espaço físico.

Como no filme de Buñuel,  esse conjunto de pessoas - formado por gente obrigada a estar em um mesmo lugar intransponível - acaba se desprendendo de qualquer máscara social e se tornando animalesco. A miséria aumenta, o cansaço, os delírios, a fome, a informalidade, a falta de higiene. A violência aumenta. Nos guetos criados para que ninguém saia, é como se isso fosse um resultado natural.

Por mais que o indivíduo seja forjado em uma classe social cheia de etiquetas, a guetificação acaba colocando todo mundo no mesmo nível, com reações típicas de quem está na beira do precipício.



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