quarta-feira, 12 de agosto de 2015

72 – Branco sai, preto fica (idem) – Brasil (2014)


Esperava mais, muito mais.

Mas, talvez pela própria expectativa criada, o filme tenha me frustrado um pouco.

Ainda assim, traz uma proposta interessante de (con)fundir ficção com documentário, mas infelizmente o conteúdo foi pouco explorado e muitos momentos se tornaram repetitivos – perdi as contas de quantas vezes passou a imagem do protagonista cadeirante subindo o elevador.

A trilha sonora, sobretudo a música final, é uma bomba – no melhor sentido da palavra. A fotografia também é muito bem elaborada e até as atuações são de qualidade. Mas talvez tenha sido a montagem que enfraqueceu a narrativa, excluiu o conteúdo da história e deixou um ritmo pouco agradável. Algumas sequências ficaram descoladas do restante do filme, como as cenas no container, que deveria trazer a ideia de ficção científica. Essa parte não se harmonizou com o todo.

Uma pena que eu tenha me decepcionado com o filme, sobretudo porque precisamos falar sobre o racismo.


Prefiro essa reportagem aqui: O Brasil por trás da aquarela.

PS - Esqueçam ou, pelo menos, não levem muito a sério o que eu escrevi acima. Sobretudo se considerarmos que uma obra cinematográfica não se limita em si, mas é fruto de um contexto. De fato, a minha expectativa criada pode ter contribuído para um pouco de frustração. E, de fato, ainda continuo com a sensação de ter visto um filme com uma montagem não muito harmônica e que prejudica o todo.

Mas acho interessante ressaltar a importância de Branco sai, Preto fica, dentro de um contexto de cinema nacional, com um modelo de produção que merece ser debatido e que deve ser, cada vez mais, apropriado pela periferia. Li essa entrevista com Adirley Queiros (clique aqui) e repensei um pouco o meu olhar, que eu mesmo já vinha questionando desde que comecei a debater com alguns amigos.

Por isso, achei necessário e importante escrever esse PS, para desfazer um possível efeito desestimulador que o meu comentário inicial poderia causar. Pelo contrário, sugiro a todos e todas - inclusive a mim mesmo - que re(assista) o filme. É importante e vai além da própria obra em si.


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