segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

10 (melhores) diretores da Itália

O cinema italiano é um dos mais importantes do mundo. Por isso, é uma tarefa das mais difíceis selecionar os 10 “melhores” diretores da história. Falar de cinema italiano é falar de revolução, de neo-realismo, de drama, de humor, de invenção e de uma nova safra de diretores que têm o desafio de reinventar. Elaborar uma lista, portanto, exige o reconhecimento dos mais antigos, mas também a valorização dos mais novos. É por isso que inevitavelmente alguns nomes tiveram que ficar de fora, como Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni, Mario Monicelli e Pier Paolo Pasolini. Os 10 selecionados, portanto, servem para traçar um panorama histórico e contemporâneo desse cinema indispensável para a cultura mundial.


Il cinema italiano è uno dei piú importanti del mondo. Per questo è um compito molto difficile per selezionare i 10 “migliori” registi della storia. Parlare di cinema italiano è parlare di rivoluzione, di neo-realismo di dramma, di umorismo, di invenzione e di uma nuova selezione  di registi che hanno la sfida di riinventare. Preparare uma lista, quindi, richiede Ia conoscenza dei più antichi, ma anche l’apprezzamento dei più recenti. È per questo che necessariamente alcuni nomi sono rimasti di fuori, come Lucchino Visconti, Michelangelo Antonioni e Pier Paolo Pasolini. I 10 selezionati, quindi, servono per tracciare um panorama historico e contemporaneo di questo cinema indispensabile per la coltura mondiale.

10 (melhores) diretores da Itália
10 (migliori) direttori dell’Italia
por Alex Hercog (Az)
tradução: Piero Pegna

1. Federico Fellini
Um dos maiores gênios do cinema mundial. Seus filmes são inconfundíveis, pois carrega consigo a marca “felliniana” em seus personagens e sua estética. Seu filme de estréia, Mulheres e Luzes, já revelava um diretor promissor. Na sequência, mais seis grandes obras, como Os Boas Vidas e Noites de Cabíria, até chegar em um de seus filmes mais importantes: A Doce Vida. Há quem diga que esse é o melhor de sua filmografia. Há quem diga que é Oito e Meio. Há quem diga que é Amarcord. Há quem diga que é E La nave va. Dentre tantos outros, como Julieta dos Espíritos e Ensaio de Orquestra. Há quem diga que ele é o maior diretor da história. Eu não me atrevo a dizer que não é.


Uno dei più grandi geni del cinema mondiale. I suoi film sono inconfondibili perchè portano com loro la marca “felliniana.” Nei suoi personaggi e nella sua estetica. Il suo primo film, La Città delle Donne, già rivelava um regista promettente, In seguenza, ancora sei grandi lavori, come I Vitelloni e Le Notti di Cabiria, per raggiungere ad uno dei suoi films più importanti: La Dolce Vita. C’è chi dice che questo è Il migliore della sua filmografia. C’è chi dice che è 8 ½. Anche dicono che è Amarcord. C’è chi dice che è La Nave Va. Tra tanti altri, come Julieta dos Espiritos e Prova d’Orchestra. C’è chi dice che è Il più grande regista della storia. Io non ho Il coraggio di dire che non è.

2. Ettore Scola
A cada filme, um desafio criado por ele próprio. A cada filme, uma superação. Como em A Família e O Baile, em que a câmera não sai do espaço delimitado e, ainda assim, consegue transpor gerações e revelar o que acontece “lá fora”. Os filmes de Ettore Scola transbordam beleza e sensibilidade, como no apaixonante Nós que nos amávamos tanto. E, tal como em Feios, sujos e malvados, ele vai representando uma Itália, italianos e italianas de uma forma singular. Gênio!
Ad ogni film, uma sfida creata da lui stesso. Ad ogni film, um superamento. come nella La Famiglia e Le Bal, che la macchina di filmare non esce dallo spazio delimitato e, cosi riesce a trasporre generazioni e rivelare quello che  succede “la fuori”. I film di Ettore Scola trasbordano di bellezza e sensibilità, come nel travolgente C’eravamo Tanto Amati. E, anche come nel Brutti, Sporchi e Cattivi, ci fá vedere um”Italia, Italiani e Italiane in um modo singolare. Genio!

3. Sergio Leone
Bastaram apenas 7 filmes, para Sergio Leone revolucionar o western, conferindo-lhe uma marca peculiar, italiana e com uma preocupação estética rara. O espectador assiste Por um punhado de dólares, Três homens e conflitos e Era uma vez no Oeste e sente vontade de devorar toda a filmografia de Leone. Então, assiste Era uma vez na América e pensa: por que alguns cineastas não são imortais?




Sono bastati soltanto 7 film per Sergio Leone rivoluzionare Il western, dando um marco peculiare, italiano com uma preoccupazione estetica rara. Lo spettatore assiste Per um Pugno di Dollari, Il Buono, Il Brutto e Il Cattivo, e C’era uma volta nel West e sente la voglia di divorare tutta la filmografia di Leone. Poi, assiste Once Upon a Time in America e pensa: perchè alcuni registi sono immortali?
4. Paolo Sorrentino
O melhor diretor da nova geração. São apenas 44 anos de idade, meia dúzia de filmes e Sorrentino já cravou o seu nome na história do cinema italiano. Sua obra de estréia com O Divo já merece destaque. As Consequencias do Amor e O amigo da família já seduzem qualquer um. A grande beleza é o seu ápice e a certeza de estar diante de um diretor maduro, que sabe o que quer e como fazer. E ninguém movimenta a câmera igual a ele.




Il miglior regista della nuova generazione.Hà soltanto 44 anni, mezza dozzina di films e Sorrentino hà già messo Il suo nome nella storia del cinema italiano. Il suo primo lavoro Il Divo é degno di nota. Le Conseguenze dell’Amore e L’Amico di Famiglia seducono chiunque. La Grande Bellezza è Il suo apice e la certezza di essere davanti ad um regista maturo che sà  quello che vuole e come farlo. E nessuno dirige la macchina di filmare come lui.
5. Giuseppe Tornatore
Diretor de um dos melhores filmes da história: Cinema Paradiso. Esse feito já bastaria para destacá-lo entre os grandes do cinema italiano. Mas ele ainda fez Estamos todos bem, Uma simples formalidade e Malena. Excelentes obras que contribuem ainda mais com a filmografia italiana.






Regista d’uno dei migliori film della storia: Cinema Paradiso. Questo fatto basterebbe per staccarlo tra i grandi del cinema italiano. Ma há anche fatto  Stiamo tutti bene, Uma pura formalità e Malena. Lavori eccellenti che contribuiscono parecchio com la filmografia italiana. 
6. Vittorio de Sica
Uma filmografia extensa e recheada. Dá para se perder e se encontrar nos filmes de De Sica. Mas em Ladrões de Bicicleta e Umberto D., o diretor consegue captar toda a profundidade da alma humana, transpor para a tela de uma forma única e sensibilizar até os mais durões dos espectadores. É a dor e a beleza do ser humano universal, em uma Itália pós-guerra.




Uma filmografia estesa e ripiena. Si può perdersi e ritrovarsi Nei film di De Sica. Ma in Ladri di Bicicletta e Umberto D., Il regista riesce a mostrare tutta la profondezza dell’anima umana, trasporre nello schermo di um modo unico e sensibilizzare anche i più duri  spettatori. É Il dolore e la bellezza dell’essere umano universale, in un’ Italia del dopo-guerra.

7. Roberto Benigni
Um grande diretor, atrás de um excelente ator. É gratificante ter filmes com temáticas tão duras, como a guerra, sendo representadas com uma leveza e um humor que nos fazem ter fé no ser humano, mesmo quando tudo caminha para a dor e destruição. Em A vida é bela e O tigre e a neve, Benigni nos ensina que é possível tornar a vida mais suportável com pequenos gestos e uma boa dose de humor. E em O Monstro, ele nos mostra o quanto o cinema pode ser feito de forma simples e ainda assim divertir e alegrar o dia de qualquer um.



Um grande regista, dietro di um’eccellente attore. É gratificante avere dei film com tematiche cosi dure, come la guerra, mostrate com uma leggerezza e um umore che ci fanno avere fidúcia nel’essere umano, anche quando tutto sembra essere dolore e distruzione. Nella La Vita E  Bella e La Tigre e La Neve, Begnini ci insegna che è possibile rendere la vita più sopportabile com piccoli gesti e uma buona dose di umore. Nel Il Mostro ci fà vedere come Il cinema può essere fatto in um modo semplice e anche cosi divertire e rallegrare Il giorno di qualsiasi persona.
8. Bernardo Bertolucci
Ousadia define a obra de Bertolucci. Sem medo de desagradar, com Partner. Sem medo de chocar, com Último tango em Paris. Sem medo de arriscar, com O Conformista. Sem medo de mudar, com O último imperador. E sem medo de expor seus ideais, com Os sonhadores. Um dos diretores mais versáteis e ousados da “velha guarda” italiana. Um dos maiores da história.




Audacia define i lavori di Bertolucci. Senza temere di scontentare con Partner.

Senza temere di scandalizzare, con Ultimo Tango a Parigi. Senza temere di rischiare, con The Conformist. Senza temere di cambiare con L’Ultimo Imperatore. E senza temere di esporre i suoi ideali, con The Dreamers. Uno dei registi più versatili e audaci della “vecchia guardia” italiana. Uno dei più grandi della storia.
9. Roberto Rossellini
Rossellini possui uma filmografia densa, pesada. É uma figura de referência para o cinema italiano e para o neo-realismo, sobretudo a partir de Roma,cidade aberta. Daqueles que exigem que o espectador mergulhe em seus filmes, nade profundamente e depois retorne à superfície para recuperar o ar.






Rossellini há uma filmografia densa, pesante. È uma figura di riferenza per Il cinema italiano  e per Il neo-realismo, sopratutto da Roma Città Aperta. Di quelli che esigono que lo spetattore si tuffi nei suoi film, nuoti profondamente e torni alla superfície per ricuperare l’aria.
10. Nanni Moretti
Com um estilo próprio, Nanni Moretti se destacou por se transformar no personagem de seus próprios filmes, como em Caro Diário e Aprile. Em seguida, realizou um drama forte, em que também protagonizava, O quarto do Filho. Já os seus trabalhos mais recentes traz uma representação de aspectos políticos da Itália. Com O Crocodilo ele aborda a máfia italiana e a classe política, enquanto que em Habemus Papa ele traz aspectos do Vaticano. Portanto, ver os filmes de Moretti, é desvendar um pouco o contexto atual da Itália.

4 comentários:

  1. Boa postagem sobre o melhor cinema do mundo . Lembro ainda os filmes de Mauro Bolognini, Marco Bellocchio , Dino Risi, Irmãos Taviani, Mario Monicelli , Valerio Zurlini , Luchino Visconti , Pasolini e muitos, muitos outros. A Itália é uma fonte inesgotável de cinema de alta qualidade.

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    1. Oi Carlos. Concordo... dá para se perder no cinema italiano. Sou apaixonado, mas ao mesmo tempo muito ignorante, pois ainda tem muito cineasta e filmes que eu preciso descobrir.
      um abraço,
      Az

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  2. Boa noite. Uma noite dessas estava a conversar com um amigo que também conhece muito de cinema e lhe disse que falta uma espécie de manual sobre como digerir o cinema. Entenda, nem todos os espectadores podem ser críticos e altamente conhecedores como você ou meu amigo, mas acredito que todos devem ser espectadores da arte como retrato da vida humana, um retrato do conjunto de regras e exceções sociais. Isso se aplica tanto ao cinema, a literatura, quadrinhos etc. A maior frustração de alguns, nesse caso, é não entender a linguagem visual técnica do cinema e isto é muito confundido com a obrigação de entender a tecnicidade do cinema. Óbvio que entender tecnicamente ajuda bastante. Enfim, percebo que já sigo o teu blog há algum tempo e tenho avançado em entender historicamente o cinema. Isso é muito bom. Não comento com nenhuma frequência, e sei que o silêncio pode ser frustrante. E seu trabalho é primoroso. Os posts realmente incutem a vontade de assistir, e aos poucos vamos entendendo essa grande arte. Você dá ótimas dicas. Obrigado.

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    1. Pô, muitíssimo obrigado. São comentários como esse que me fazem manter o blog, tentando sempre manter um bom nível de cuidado e qualidade. O silêncio não chega a frustrar, até porque os números (de acesso e de downloads) também dizem muito, mas não dá pra negar que é sempre bom ler comentários como esse.

      Eu entendo essa sua reflexão sobre a questão técnica do cinema (como de qualquer arte). Também já refleti muito sobre isso e hoje, a conclusão que eu cheguei, é de que existem três tipos de filmes: o que você gosta, o que você não gosta, e o que você assiste para aprender, como quem lê um livro de Economia para faculdade ou para acessar argumentos sobre determinadas teses. Prefiro uma besteirol hollywoodiano que me faça rir, do que um de Godard repleto de elementos, mas que me deixe entediado.

      A questão é que quanto mais você vai entendendo as técnicas da linguagem, mais você absorve elementos do filme e, portanto, o próprio filme e a sua própria recepção ficam mais ricas. É como no idioma: quanto maior for o seu repertório de vocabulário, significados e significantes, mais sentido fará determinada frase e mais fácil será para você traduzir em palavras um determinado sentimento (ou alcançar o sentimento que foi traduzido em palavras).

      Por isso que eu gosto de passar por filmes de Godard, filmes antigos, filmes referenciais, etc... porque vai dando uma bagagem maior, ampliando nossa capacidade de percepção, enquanto espectador, e disfrutando ao máximo cada filme. E leituras sobre questões técnicas, inclusive críticas bem elaboradas também nos ajudam a compreender melhor as técnicas da linguagem e reconhecê-las em cada filme.

      Por exemplo: eu me deleito com planos-sequencia. Quem ainda não está muito sensível a notar os movimentos de câmera numa cena, muitas vezes passa batido. Eu, como gosto muito, identifico logo de cara um plano sequencia e vou seguindo a câmera ao mesmo tempo em que penso no set de filmagem, como que equipe de filmagem e atores se posicionaram, qual a marcação do cenário que a câmera tá seguindo e, sobretudo, até onde o plano-sequencia conseguirá chegar. Esse é um deleite que, para tê-lo, é preciso ter um pouco de conhecimento técnico. Quem não tem vai poder curtir o filme da mesma forma, mas quem tem vai ter um plus sensorial a mais. Por isso, acho legal ter, porque quanto mais se tem, mais prazeres você consegue alcançar vendo um filme e mais fácil fica para entendê-lo.

      Mas, a melhor forma de criar seu repertório é ver filmes e mais filmes... e para os que lhe despertar encantos ou interrogações, pesquisá-lo na internet, ler comentários e críticas... enfim, explorá-lo.

      Eu, aqui, tento comentar a partir das minhas sensações, sem ser muito tecnicista. Porque, no final das contas, é a experiência sensorial que talvez seja o mais importante ao ver um filme.

      Não se sinta obrigado, mas comente sempre que puder, nem que seja pra levantar questões como essas, que são muito legais de serem discutidas.

      Mais uma vez, obrigado.
      abraço,
      Az

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