sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

10 – Coutinho.DOC – apartamento 608 (idem) – Brasil (2009)


Direção: Beth Formaggini
O público acompanha o processo de criação do cineasta Eduardo Coutinho no documentário, que revela desde a fase da pesquisa até o fim das filmagens de "Edifício Master". Sob a direção de Coutinho, uma equipe de cinema registrou o cotidiano do prédio, formado por 276 apartamentos conjugados.


Uma coincidência que só agora me dei conta: acabei de ver esse filme há 5 dias da festa de Yemanjá. Há exato um ano, no fim da festa, no Rio Vermelho, recebi ligações e mensagens me informando que Coutinho tinha sido assassinado pelo próprio filho. Três anos antes, eu havia concluido meu curso universitário, apresentando um trabalho sobre Babilônia 2000 e Edifício Master.

Portanto, assistir Coutinho.DOC desperta lembranças e emoções por Coutinho, como também faz revisitar Edifício Master.

A obra de Beth Formaggini constrói e desconstrói Coutinho e seu processo de produção. Revela elementos do diretor e de sua direção, resinificando o próprio olhar sobre Edifício Master e algumas de suas entrevistas. É uma obra fundamental para pesquisadores que tentam decifrar os métodos “coutinianos”.

Muito grato pela esperteza de Beth Formaggini por pensar em fazer esse filme. E, ao mesmo tempo, feliz por reencontrar Coutinho.


Odôya!


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Um comentário:

  1. Salve Az
    Coutinho era um fera mesmo, ter visto ele trabalhando para o Edifício Master só fez confirmar isso. Apartamento 608 é um presente mesmo.
    O que acho mais legal no Coutinho é que mesmo em meio ao caos, diante do improviso, do incerto ele sabia exatamente o que queria, ele tinha a noção perfeita da emoção que queria provocar, e o comprometimento com essa busca. Transformar Doc em arte como ele fez, é para poucos. Da fala humana ele lapidava, conduzia e fazia o simples brotar do simplório, fazia a flor do existir desabrochar da mediocridade da vida.
    Coutinho sabia , muitos também sabem, que humildade e ingenuidade uma vez perdida, só pode ser recuperada, pelo reconhecimento que se tinha que se perdeu, e ele, como bom observador, ia em busca das almas que ainda não esvaziadas, que podiam pela levadas pela sua gentil provocação, voar como bolinhas de sabão, que podiam dar a dimensão do humano mais puros e transparente talvez, mais frágeis certamente.
    Nesse comentário vou cometer uma imprudência e uma audácia rsrsrsrsr. com muitas ressalvas, e por uma via tortuosa, comentar o como percebo o DESEJO Coutiniano, através dos docs que assisti. Percebo nele uma busca em extrair do outro aquilo que o fazia vivificar ( a ele não importava a mentira ou verdade, importava o natural ) uma vez capturada essa naturalidade ele queria através dela entrar em contato com o natural que nos habita. Sinto que ele tinha um prazer em desvirginar um diálogo jamais estabelecido, um prazer em se deixar o outro falar.
    Esse desejo, esse saber o que querer sem ter a certeza de como o fazer, esse captar e capturar o cotidiano para encantar me fez lembrar um filme que gosto muito O Perfume de Tom Tykwer, filme louco fala da busca, do natural, do desejo pela essência, de como sentir o mundo. Enfim não sei se o filme é uma analogia boa, então que fique por ser bom filme e pelos quesitos de gênio e louco todos guardamos um pouco, embora o sentido que imprimimos e uma ética ajudam a fazer a diferença.
    Que o Coutinho faça escola
    Feliz energia de Iemanja
    Abraço e até
    Soli

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