sábado, 29 de novembro de 2014

107 – Voltando pra casa (Luo ye gui gen) – China (2007)


Direção: Yang Zhang
Comédia de humor negro sobre fazendeiro que tenta, de todas as formas, levar para casa o corpo de um amigo que morreu enquanto estava na cidade.

Um filme leve e simples como a morte.

Um exemplo de lealdade.

A estrada é como a vida: cheia de desafios, com muita gente que faz o mal, mas, mais ainda, com muita gente boa, solidária, generosa, amigável. E, aos poucos, você percebe que percorrer a estrada é mais importante que chegar na parada final.



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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

106 – O guia pervertido do cinema (The pervert´s guide to cinema) – Inglaterra (2006)


Direção: Sophie Fiennes
O que pode a psicanálise dizer-nos sobre o cinema? Esta é a pergunta a que THE PERVERT´S GUIDE TO CINEMA se propõe responder. O filme conduz o espectador através de uma estimulante viagem por alguns dos maiores filmes de sempre. O guia e apresentador é Slavoj Zizek (lê-se Slavói Chichec), o carismático filósofo e psicanalista esloveno. Na sua apaixonada abordagem ao pensamento, vasculha a linguagem escondida do cinema, revelando o que os filmes podem dizer-nos sobre nós próprios.

Um filme para ser visto com a assessoria de um cinéfilo e de um psicanalista freudiano.

Felizmente, a cinefilia me permitiu compreender boa parte do que Slavoj Zizek analisou.

Já a análise...

A maioria eu não consegui entender.

E o que eu supostamente consegui, a maioria eu não concordei.

Mas, ainda assim, valeu.


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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

105 – O Baile (Le Bal) – Itália (1983)


Direção: Ettore Scola
Sem diálogos, o filme conta parte da história da França, da década de 1930 à década de 1980, a partir dos personagens reunidos em um salão de dança. Através das recordações das pessoas, da música e da dança, o filme traça um panorama da evolução do país, da ocupação nazista ao surgimento do rock'n'roll.


Eduardo Coutinho, o gênio do documentário brasileiro, dizia que uma de suas técnicas de criação era criar suas próprias prisões, estabelecer seus próprios limites. Ou seja, “vou filmar a favela tal, ou moradores do prédio tal, só religiosos de uma mesma comunidade, etc”. Enfim, determinava seu recorte e a partir disso, criava.

Não sei como funciona o processo criativo de Ettore Scola, mas garanto que ele é um gênio, dentro de sua própria prisão. Em A Família, a câmera está dentro da casa – o espaço físico é o seu limite – e sem nunca sair de lá, o filme acompanha a transformação de uma família, que vai atravessando gerações.

Em O Baile, a prisão estabelecida é ainda mais desafiadora. Ettore não apenas repete o limite físico – a câmera nunca sai do salão de dança – como elimina qualquer diálogo verbal. Não há uma vogal dita entre os personagens e, no entanto, eles estão em constante interação. A sensibilidade do filme é extraordinária. A expressão facial e, sobretudo, corporal dos atores é uma aula.

Ettore consegue contar, sem dizer uma palavra, um fragmento da sociedade ocidental do século XX. Apenas com músicas e sons de bombas. Apenas com corpos e rostos. Apenas com sua genialidade.


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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

104 – Chove sobre nosso amor (Det regnar på vår kärlek) – Suécia (1946)


Direção: Ingmar Bergman
Kollberg e Malmsten formam o casal que tenta ultrapassar as barreiras da vida. Ela está grávida e ele acabou de ser libertado da prisão. Ambos não têm onde morar, mas surge uma chance quando aparece uma oportunidade de trabalharem como empregados de um hotel. Mas eles terão de lutar na Justiça contra a oposição da igreja, do patrão e toda a burocracia existente.



O primeiro filme de Ingmar Bergman.



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terça-feira, 25 de novembro de 2014

103 – Foxfire – confissões de uma gangue de garotas (Foxfire) – França (2012)


Direção: Lurent Cantet
Em 1953, um grupo de garotas, em uma pequena cidade violenta, pós-guerra e dominada por homens, formam uma gangue para atingir o sonho impossí­vel de viver por suas próprias leis e regras, não importa o que aconteça. Primeiro, as garotas cometem pequenos delitos e pequenos roubos em supermercados, mas depois as atividades ilegais começam a fugir do controle.


Uma interessante história, sobre uma gangue de garotas e a forma que elas encontraram para passar por cima de sua própria ingenuidade e imaturidade e enfrentar os abusos, assédios e opressão cometidos pelos homens, pelo mundo, e pelo mundo machista.

Pena que o diretor Laurent Cantet não conseguiu extrair dos personagens a mesma emoção que havia conseguido em Entre os muros da escola. A câmera na mão, que sacudia, se perdia, mas que conseguia penetrar nos olhares, passar pela mente e chegar no coração de seus personagens, infelizmente não se repetiu em Foxfire.

É um ótimo filme, uma história muito bem contada. Mas faltou a pitada de brilhantismo que Cantet usou em seu filme anterior.


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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

102 – Iracema, uma transa amazônica (idem) – Brasil (1975)


Direção: Jorge Bodanzky; Orlando Senna
Em 1974, em plena ditadura, quando o governo militar alardeava a propaganda da construção do “Brasil Grande”, Jorge Bodanzky, Orlando Senna e Wolf Gauer filmam Iracema — uma transa amazônica, ficção com uma feição documental que se tornou marco na cinematografia brasileira. O filme faz um contraponto à propaganda oficial da época sobre a Amazônia, revelando as queimadas, o trabalho escravo e a prostituição infantil através da história da menina ribeirinha Iracema, que, atraída pela cidade grande e pela lábia do motorista de caminhão Tião Brasil Grande, acaba se prostituindo às margens da rodovia Transamazônica. Proibido durante seis anos no Brasil, recebeu inúmeros prêmios em festivais internacionais. Em 1981, foi o grande vencedor do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.


De volta ao Pará, ao Ver-o-Peso e à Transamazônica. Uma viagem pelas estradas paraenses e pelo tempo. O tempo do “Brasil grande”. Das promessas. Do progresso. Do “ame-o ou deixe-o”. Das Iracemas, jovens, prostituídas, sem futuro. Do desmatamento de florestas e de sonhos. E de uma estrada, que seria o alicerce de um novo tempo no norte do país.

A Transamazônica continua ruim. Alguns dizem que é proposital, pois uma estrada boa significaria mais desmatamento. Mas o desmatamento também continua. O progresso chegou para poucos. As promessas continuam. E ainda existem algumas Iracemas, aqui e acolá.

A obra de Jorge Bodanzky e Orlando Senna é um presente para o cinema nacional, para a Amazônia e para a história do país. 



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domingo, 23 de novembro de 2014

101 – Violeta foi para o céu (Violeta se fue a los cielos) – Chile (2011)


Direção: Andrés Wood
Intratável, terna, boêmia, áspera, contundente, frágil e indomável. Violeta Parra foi uma das artistas mais emblemáticas do Chile - e ainda assim, profundamente ignorada por décadas de uma cultura controlada pela ditadura de Pinochet.
Andrés Wood, diretor de Machuca, realiza um trabalho primoroso ao trazer para as telas, a partir do livro escrito pelo filho de Violeta, Ángel Parra, a vida, a obra, a memória, os amores e as esperanças dessa cantora, compositora, poeta e pintora que é um dos maiores ícones da arte popular latino-americana.


Bom viajar novamente ao Chile, através de Violeta Parra. Uma história de vida cinematográfica, de uma artista que é um eterno conflito.

Muito boa a representação de Andrés Wood, que não se prendeu à “obrigação” de ter que fazer de uma biografia o retrato virtuoso da representada. Muito pelo contrário, não teve medo de expor as contradições e o lado indigesto de Violeta. Ótimo filme.


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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

100 – Um terno de casamento (Lebassi Baraye Arossi) – Irã (1973)


Direção: Abbas Kiarostami
Uma mulher encomenda um terno de um alfaiate para que seu jovem filho possa ir ao casamento da irmã. O aprendiz do alfaiate, junto com dois outros meninos que trabalham no mesmo edifício, bolam um plano para usar o terno durante uma noite e entregá-lo na manhã seguinte sem que ninguém os descubra.


Um filme simples, um pequeno recorte da infância e seus deslizes.

O primeiro longa de Abbas Kiarostami. E o primeiro filme, do diretor, que eu assisto.


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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

99 – Cairo 678 (678) – Egito (2010)


Direção: Mohamed Diab
O filme é baseado em três tramas paralelas de três histórias reais de três mulheres egípcias. Ela aborda sobre uma questão muito sensível no Egito e expõe as implicações e as circunstâncias de assédio sexual na vida dos personagens principais. O filme pinta um retrato sem concessões da sociedade egípcia a partir dos pontos de vista de três mulheres de diferentes classes sociais unidos por sua decisão de não mais permanecer em silêncio as vítimas de assédio sexual.


Assisti esse filme egípcio, ao lado de minha mãe egípcia.

Em alguns momentos me senti constrangido por ser homem. Em outros, me senti orgulhoso por não ser um homem igual aos que apareciam na tela.

Um filme para homem ver. Um filme para mulher ver.


Todas as minhas honras para as mulheres e homens feministas do Egito.



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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

98 – A busca (idem) – Brasil (2013)


Direção: Luciano Moura
Theo Gadelha (Wagner Moura) é um médico, casado com a também médica Branca (Mariana Lima), pai do adolescente Pedro (Brás Antunes) e filho de um pai ausente (Lima Duarte). Sua mulher pede a separação, seu filho rejeita sua orientação e a casa que construiu para a família vai ser posta à venda. Aos poucos, Theo constata que seu mundo está desabando. Mas nada se compara ao que está por vir: no fim de semana em que completaria 15 anos, seu filho Pedro some de casa. Theo pega a estrada em busca do filho. A viagem Brasil adentro vira um caminho de auto-conhecimento, um percurso para transformações e descobertas.


A boa e velha “jornada do herói”. A espinha dorsal do roteiro é a básica, que pode ser feita por qualquer iniciante: a apresentação dos personagens; o ponto de virada, com algum grande conflito; a busca, ou os desafios enfrentados pelo protagonista durante sua jornada; a transformação física e psicológica do herói.

Uma câmera na mão e um Wagner Moura na estrada.

Simples, básico. Mas é incrível a magia do cinema, que da simplicidade consegue produzir obras envolventes. Que mesmo clichê, é capaz de surpreender.


A busca é extremamente agradável de se ver.


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terça-feira, 18 de novembro de 2014

97 – O retorno (Vozvrashchenie) – Rússia (2003)

Direção: Andrei Zvyagintsev
Na Rússia contemporânea, Andrei (Vladimir Garin) e Ivan (Ivan Dobromravov) levam uma vida normal, como a de outros garotos de sua idade, e são felizes a seu modo. O mundo deles muda após a inesperada chegada do pai (Konstantin Lavronenko), que está afastado de casa há 12 anos. Tentando romper a barreira de relacionamento que os separa, o pai decide levar os dois filhos em uma viagem de carro de 3 dias. A mãe (Natalya Vdovina) aceita a idéia a contragosto e os três partem sem destino definido. No decorrer da viagem os garotos envolvem-se de maneira distintas com o pai, envolvidos com a alegria de reencontrá-lo e a estranheza de mal conhecê-lo.


A história de uma pai fazendo seus filhos tornarem-se adultos. E as dores que envolvem todo e qualquer crescimento, toda e qualquer relação.

Uma bela e fria fotografia.

Atores mirins de muito talento.

E uma narrativa amarrada por diversas situações de extrema sutileza.

Enfim, um filme bem interessante.


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domingo, 16 de novembro de 2014

96 – Cinco câmeras quebradas (Five Broken Cameras) – Palestina (2013)


Direção: Emad Burnat; Guy Davidi
Em 2005, uma pequena cidade na Cisjordânia foi dividida por um muro, construído pelo governo israelense. Com o argumento oficial de proteger um povoado das redondezas, eles prepararam o terreno para a tomada de posse de 150 mil judeus israelenses. Mas o agricultor Emad, morador da região, decidiu armar-se de uma câmera e de formas pacíficas de protesto para tentar conservar suas terras.



Um pequeno povoado lutando para viver, enquanto a Palestina luta pra sobreviver.


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sábado, 15 de novembro de 2014

95 – Brazil (Brazil) – Inglaterra (1985)


Direção: Terry Gilliam
Sam Lowry (Jonathan Pryce) vive num Estado totalitário, controlado pelos computadores e pela burocracia. Neste Estado, que lida com o terrorismo, todos são governados por fichas e cartões de crédito e ainda precisam pagar por tudo, até mesmo a permanência na prisão. Neste mundo opressivo Sam acaba se apaixonando por Jill (Kim Greist), uma terrorista.



Literalmente fantástico. Clássico no melhor estilo de Terry Gilliam. Futurista, psicodélico e incrivelmente coerente!


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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

94 – Temporada de rinocerontes (False kargadan) – Iraque/Irã (2012)


Direção: Bahman Ghobadi
O poeta curdo-iraniano Sahel acaba de receber uma sentença de 30 anos de prisão no Irã. Agora a única coisa que vai mantê-lo com vontade de continuar vivendo é o pensamento de reencontrar sua esposa que pensa que ele está morto há mais de 20 anos.



Um filme sobre um poeta, seu amor do passado e as dores do presente. Ao mesmo que a obra carrega uma denúncia política, a faz de forma... poética. O lirismo da narrativa fortalece a subjetividade – como assim são as poesias. Em certos momentos, entender é o de menos. Sentir é o de mais. E o primor da fotografia, ainda que às vezes “gratuita”, deslocada da história, enche a tela de beleza.


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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

93 – Minha viagem à Itália (Il mio viaggio in Italia) – Itália (1999)


Direção: Martin Scorsese
Depois de uma extraordinária lição sobre cinema americano, Martin Scorsese leva-nos numa nova viagem, desta vez pela história do cinema italiano, do pós II Guerra até à década de 60.



Uma aula de neo-realismo italiano, dada por Scorsese. Precisa de mais alguma coisa?


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terça-feira, 11 de novembro de 2014

92 – NhaFala (Nha Fala) – Guiné Bissau (2002)


Direção: Flora Gomes
Em Cabo Verde, todos os acontecimentos que regem a vida social viram música. Mas na família da jovem Vita, uma lenda promete a morte a quem tentar. Na França, onde Vita estuda, ela encontra Pierre, músico, por quem se apaixona. Ela canta e Pierre descobre a beleza de sua voz, convencendo-a a gravar um disco que se torna sucesso. Mas Vita desafiou a tradição e decide voltar para casa para confessar à sua família e receber o castigo.




Filme gostoso de se ver. O colorido das imagens e a alegria das músicas vão embalando o espectador. A estética é toda teatral, substituindo o palco pelas ruas de Cabo Verde. Simples, divertido e inteligente.


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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

91 – O franco atirador (The deer hunter) – Inglaterra (1978)


Direção: Michael Cimino
Três amigos recrutados para a guerra do Vietnã são capturados pelos vietcongues. Além de mal-tratados fisicamente, é a tortura psicológica um jogo de roleta russa entre eles que os fará repensar o motivo de tudo aquilo.


Um filme de guerra que transborda sensibilidade. Durante a primeira metade, o diretor vai delicadamente construindo as relações de amizade dos personagens e que darão sentido a toda trama. Nessa parte se celebra a vida, com tudo o que ela tem direito: bebedeira, briga, música, amor, felicidade. É o prelúdio da guerra do Vietnã.

E tão abrupta como a vida, a narrativa é interrompida por um corte seco, que já insere o espectador na segunda parte do filme: a guerra. E com tudo o que ela tem direito: loucura e morte.

Daí em diante, é a roleta russa que nos faz lembrar que tudo está por um fio. A apreensão do espectador se transforma em alívio ao ouvir o “click”. Mais até que a dos personagens, que parecem se conformar que a morte é aqui e agora.

E a última sequência é de uma sutileza extraordinária. Os personagens, em luto, tentando driblar o silêncio e buscando disfarçar a dor. Me fez lembrar a canção de Oswaldo Montenegro: “eu conheço o medo de ir embora, não saber o que fazer com as mãos”. Literalmente, eles não sabem o que fazer com as mãos. E o diretor vai captando todos esses detalhes, trazendo uma naturalidade incrível à cena e apertando de angústia o coração do espectador.


Que filme forte!


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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

90 – O sangue do condor (Yawar Mallku) – Bolívia (1969)


Direção: Jorge Sanjinés
O drama boliviano conta a história de Ignacio, chefe de uma comunidade indígena. O chefe começa a desconfiar do Corpo de Processo americano, que administram uma maternidade, pois as mulheres de sua aldeia estão perdendo a fertilidade. Durante o confronto com os membros do Corpo, Ignácio se fere e é levado para La Paz, onde encontra seu irmão gravemente ferido.


Discurso para o Instituto de Tecnologia da Califórnia, pelo cientista James Donner:

''O mundo desenvolvido não se identifica com os famintos da Índia ou do Brasil. Nós os vemos como espécies diferentes, e, de fato, eles são. Nos próximos 100 anos, nós encontraremos formas adequadas de lidar com eles. Eles são simplesmente animais. Eles constituem uma doença maligna.
Resultado: As nações ricas e fortes devorarão os pobres e fracos".


Joia rara do cinema boliviano. Joia rara do cinema latino-americano. Simplesmente indispensável.


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terça-feira, 4 de novembro de 2014

89 – De repente, num domingo (Vivement dimanche) – França (1983)


Direção: François Truffaut
Em Paris, Julien Vercel (Jean-Louis Trintignant) trabalha como agente imobiliário. Apesar de ser enfadonho e não lhe acontecer problemas, sua vida sofre uma mudança brusca quando Claude Massoulier é assassinado com um tiro de espingarda. Acontece que a vítima era amante de Marie-Christine Vercel (Caroline Sihol), a mulher de Julien, e quando ela é também morta ele se torna o principal suspeito de ambas as mortes. Ironicamente Barbara Becker (Fanny Ardant), que era sua secretária e tinha sido despedida, passa a ser a única pessoa que realmente crê na inocência de Julien. Enquanto o mantém escondido, ela investiga o caso por conta própria e acaba se deparando com situações bem surpreendentes.



Último filme de Truffaut. Um noir francês, do seu jeito. Uma nobre despedida, seco e pragmático, sem firulas. Com De repente, num domingo, Truffaut disse à história do cinema: “Toma aí. Fui.” – e partiu, com o dever cumprido, sem que precisasse provar mais nada para ninguém.


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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

88 – Ex-baterista (Ex Drummer) – Bélgica (2007)


Direção: Koen Mortier
Baseado no romance degenerado de mesmo nome do novelista e poeta flamengo, imensamente popular, Herman Brusselmans, 'Ex Drummer' é como uma checklist das obsessões do escritor belga, notoriamente álcool, sexo, inaptidão, enfado, violência, punk rock e o mais esquálido e sórdido de violência imaginável.
A história é simples e ao mesmo tempo estranha e até engraçada.Quando o conhecido escritor Dries é abordado por três músicos inválidos que pedem que ele seja o baterista na banda deles, termina ficando intrigado e concorda.


O filme é, literalmente, “rock´n roll”. Extremamente trash. Não na estética, mas na narrativa. Vomita para o espectador todos os podres, tabus e preconceitos da sociedade. Sempre na perspectiva do podre e do agressor. Da violência.

O fato é que de uma forma extremamente tosca – no bom sentido – o filme expõe o racista, o homofóbico, o machista, o viciado, o estuprador e um monte de tosqueira.

É bem psicodélico e provavelmente deve gerar mais reações adversas do que agradáveis.


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sábado, 1 de novembro de 2014

87 – Mar e Selva (Mionga ki Ôbo) – São Tomé e Príncipe (2005)


Direção: Ângelo Torres
Os "angolares" são os mais antigos habitantes da Ilha de São Tomé, onde, segundo a lenda, chegaram depois de um naufrágio. Outrora senhores da ilha, foram despojados pela força no fim do século XIX  estão agora reduzidos a uma pequena comunidade piscatória. Entre os mitos e os mistérios desta ilha de beleza luxuriante, este filme revela-nos a história e os costumes destas gentes para quem a pesca e o mar são um símbolo de afirmação.


País novo no blog. Direto de São Tomé e Príncipe, esse documentário que retrata de forma simples uma comunidade pesqueira desse país do continente africano.

O filme não tem legenda. O idioma é português, mas o sotaque carregado e alguns vocabulários diferentes dão um pouco de trabalho para a compreensão. Mas, digamos que com o ouvido atento, dá para entender 80% do que é dito. O restante dá para sentir, apreciar, deduzir.

São Tomé e Príncipe é composto por ilhazinhas a oeste do território africano. Possui  160 mil habitantes e a principal atividade econômica é a pesca.

Mar e Selva nos traz um pouco desse país, de seu mar, de suas lendas, de sua pesca e de sua gente.


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