segunda-feira, 24 de novembro de 2014

102 – Iracema, uma transa amazônica (idem) – Brasil (1975)


Direção: Jorge Bodanzky; Orlando Senna
Em 1974, em plena ditadura, quando o governo militar alardeava a propaganda da construção do “Brasil Grande”, Jorge Bodanzky, Orlando Senna e Wolf Gauer filmam Iracema — uma transa amazônica, ficção com uma feição documental que se tornou marco na cinematografia brasileira. O filme faz um contraponto à propaganda oficial da época sobre a Amazônia, revelando as queimadas, o trabalho escravo e a prostituição infantil através da história da menina ribeirinha Iracema, que, atraída pela cidade grande e pela lábia do motorista de caminhão Tião Brasil Grande, acaba se prostituindo às margens da rodovia Transamazônica. Proibido durante seis anos no Brasil, recebeu inúmeros prêmios em festivais internacionais. Em 1981, foi o grande vencedor do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.


De volta ao Pará, ao Ver-o-Peso e à Transamazônica. Uma viagem pelas estradas paraenses e pelo tempo. O tempo do “Brasil grande”. Das promessas. Do progresso. Do “ame-o ou deixe-o”. Das Iracemas, jovens, prostituídas, sem futuro. Do desmatamento de florestas e de sonhos. E de uma estrada, que seria o alicerce de um novo tempo no norte do país.

A Transamazônica continua ruim. Alguns dizem que é proposital, pois uma estrada boa significaria mais desmatamento. Mas o desmatamento também continua. O progresso chegou para poucos. As promessas continuam. E ainda existem algumas Iracemas, aqui e acolá.

A obra de Jorge Bodanzky e Orlando Senna é um presente para o cinema nacional, para a Amazônia e para a história do país. 



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