quinta-feira, 14 de novembro de 2013

103 – Munyurangabo (Munyurangabo) – Ruanda (2007)


Direção: Lee Isaac Chung
Depois de roubar um facão num mercado em Kigali, Munyurangabo e seu amigo Sagwa deixam a cidade numa jornada conectada aos próprios passados. Munyurangabo quer justiça para os pais que foram mortos no genocídio, e Sangwa quer visitar a casa que abandonou há anos. De duas tribos distintas, a amizade entre os dois é posta à prova quando os preocupados pais de Sangwa desaprovam Munyurangabo, alegando que "Hutis e Tutis foram feitos para serem inimigos". Filmado em Ruanda, é a primeira vez que se roda um longa-metragem no dialeto Kinyarwanda. O elenco de atores não-profissionais inspirou muitos elementos do roteiro. O filme registra a memória coletiva local.

A libertação é uma jornada
Ruandeses de Ruanda e ruandeses de fora de Ruanda
Todos que falam Kinyaruanda
Nós descendemos de uma cultura comum
Venha, nós nos sentaremos aqui em Ruanda
Imersos na cultura de Ruanda
Vamos lembrar como veio a libertação, livrando-me de cargas pesadas da minha juventude
Quando eu era jovem e apenas uma criança
Eu brincava na lama e ouvia falar de ódio
Ruanda preparava crianças para a guerra
Crianças escolhidas e armadas contra os inimigos
Eu escutei que os Tutsis eram baratas que deviam ser pisadas
Com rabos como cobras, eles deveriam ser mortos
Nos deram arcos e lanças
E países estrangeiros nos deram armas
Realmente a escuridão chegou em Ruanda,
Facões no lugar de paz
Eu vi pessoas matarem
Muçulmanos e cristãos trabalhando juntos
Unidos pelos facões e pelo desejo de matar
E nossa Ruanda queimou
Rios fluíram com corpos e cadáveres cobriram os campos
A juventude de Ruanda liderou a batalha,
Você não sabe que isso é injustiça?
Essa é nossa Ruanda, seus belos rios e piscinas
Seus belos campos com estradas e sem fome
Se tornaram um cemitério e uma vergonha
Você não sabe que isso é injustiça?
E o exército da Frente Patriótica de Ruanda que fui ensinado a odiar
Decidiu que era hora de defender Ruanda
Ruandeses devem morrer?
Deve haver viúvas?
Os mortos devem envergonhar-se?
Eles disseram ''Não''
A guerra começou em Kinigi, no calor
Todos estavam envolvidos, então entenda, minha criança,
Não se tratava de pistolas ou armas
Tratava-se de uma luta pela verdade
Eu os agradecerei onde quer que eu esteja
Seu heroísmo será conhecido em todo o mundo
De Darfur no Sudão às Ilhas Comores, eles serão admirados
E eu os verei da maneira que o papa vê sua igreja
Mas agora que eles conquistaram, eu pergunto deles
Liberte-nos da pobreza e do analfabetismo, desde que a liberação é uma viagem
Eu começarei com a família, a fundação
Eu condeno os vários homens que não permitem que suas esposas tenham voz
Eles batem nelas e acham que elas são estúpidas
Quem ganha com isso? Homem de bigode e mente pequena
Peito peludo e sem piedade, você oprime sua esposa para ela ficar em casa
Você está matando nossa visão de ser uma nação forte
E as crianças, eu vejo trabalhando tão duro em todos os lugares
Colhendo chá e café, mas eles não podem nem comprar sabão
Que imagem vergonhosa de Ruanda
Dê à criança o que ela precisa e que ela se torne um rei
Seus pais viverão em paz e sua família estará segura
Pequenas garotas não vão à escola e recebem uma vassoura e elas cavam no vale
Porque educação é apenas para seus irmãos
Uma esposa trabalha o dia inteiro e seu marido bate nela
E quem a salvará?
Onde será a libertação?
E homens trabalham duro, o suor escorre
Mas ele não ganha dinheiro e nunca é suficiente
Você não vê que isso é injustiça?
Deixe a liberação vir, e deixe a libertação ser uma jornada
Longe da prostituição e em direção à sabedoria
e a novos projetos feitos com fervor
Os mais ricos podem preparar um presente para dar aos mais pobres
E quão pobre é ele?
Um casa de trigo e uma cama de trigo e ele só come trigo
E então ele é jogado fora como trigo
Realmente, nossa bela Ruanda com belos rios
Belos lagos e campos, com estradas e sem fome
Diga-me
Será um cemitério sem paz?
Você não vê que isso é injustiça?
Deixe-me falar mais
O que acontece nos tribunais de genocídio das aldeias?
Deixe a justiça libertar
Deixe a verdade substituir a mentira em Ruanda
Sentando juntos na grama sem divisão ou ódio, sem mentir para o outro
Como vivemos em paz e os culpados buscam o perdão
Nosso futuro já está falhando
A não ser que comecemos bem nossa jornada, ajudando viúvas e órfãos
E comida para o homem arruinado com nada
O que resta é dividir tudo
Como lutamos contra o ódio
Desejo a vocês o melhor
E eu termino aqui.
Eu, um poeta, falarei novamente
Paz para você em Ruanda
Paz em todo o lugar.




Download:

Nenhum comentário:

Postar um comentário