segunda-feira, 12 de agosto de 2013

73 - Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Loong Boonmee raleuk chat) – Tailândia (2010)


Direção: Apichatpong Weerasethakul
Sofrendo de insuficiência renal, Tio Boonmee resolveu passar os últimos dias de sua vida recolhido em uma casa perto da floresta e ao lado de entes queridos. Durante um jantar com a família, o espírito de sua esposa falecida aparece para ajudá-lo em sua jornada final. A eles se junta Boonsong, filho de Boonmee que retorna após muito tempo metamorfoseado em outra forma de existência. Juntos, eles percorrerão o interior de uma caverna misteriosa, onde Boonmee nasceu em sua primeira vida.


Até agora tentando decodificar e compreender pelo menos um terço desse filme...



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12 comentários:

  1. Dos filmes de Apichatpong que assisti, este é com certeza o mais complexo, uma verdadeira viagem.

    Abraço

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    1. Se os outros fossem mais que esse, eu nem me arriscaria! :P
      abraço

      Az

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  2. Olá Az
    Não desanime com essa sensação ( de quase cara de bobo) que os filmes asiáticos deixam, já teve vezes que as letrinhas subiam e riamos muito aqui nos perguntando pelo lado B.
    Para mim esses filmes são como um mergulho nas outras formas de como os povos ancoram suas compreensões do que é o mundo. Um dia li um livro de contos chineses em que fantasmas e vivos conviviam e conversavam, que almas poderiam ir para outros corpos, que se podía saldar dívidas, marcar encontros para a próxima encarnação (risos). Diante de tudo isso me perguntei quando foi que essa mistura de culturas, que nos alicerça, nos vendou os olhos e tapou nossos ouvidos para que perdêssemos o lado mágico da vida e só pudéssemos viver essas experiências e encontrar com aqueles que se foram através dos sonhos (risos), vai dizer que nunca voou ou encontrou (em sonho) alguém que já passou para o outra dimensão?
    Filmes assim nos quebram, porque nossos padrões de referências avaliativas são insuficientes para entendê-los. Gosto muito do Apichatpong, fui desvendando seus filmes aos poucos, o próximo sempre ajuda a entender o anterior, o mesmo aconteceu com Kim ki Duk, fui assistindo os filmes, tentando compreender através do diretor os dramas humanos na cultura que ele estava revelando. Desses dois e outros asiáticos sou muito fã.
    É uma pena que alguns desses cineastas já estão cedendo ao modelo americano de filmar, para se tornarem mais palatáveis e assistidos. Creio que esse estranhamento inicial tem a ver com narrativa estética; o Tim Burton em seu “ Big Fish” respirou esses ares. Enquanto Tim Burton falou de vida, Apichatpong quis dizer do recolhimento, junto aos seus, diante da morte. Tem um filme iraniano, “Gabbeh”, que é uma lindeza de bonito, que caminha por essas paragens onde tudo é misturado junto. Tem ” Dolls” , do Takeshi Kitano que pode fazer pensar que a vida é manifestação de arte e a arte é representação de vida.
    Aff que comentário grande, prometo abater na próxima postagem.
    Abraço

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    1. Esse seu olhar sobre a magia dos filmes asiáticos me deixa um pouco mais reconfortado e menos ansioso em tentar desvendar os mistérios desse filme. Seguindo suas palavras consegui viajar e imaginar o inverso: a sensação de um tailandês que assistisse "Jardim das Folhas Sagradas". Salvo as devidas proporções de cada filme, o estranhamento deve ser o mesmo para um tailandês que visse um Exu, no meio da estrada. Ele não faz ideia do que é um orixá, nem imagina o que representa e como "os vivos" se relacionam com ele, talvez com a mesma naturalidade com que Tio Boonmee conversa com seu filho macaco. O sobrenatural, de forma tão natural, não é compreendido por qualquer um. Da mesma forma que daria um nó na cabeça do tailandês, Tio Boonmee deu um nó na minha cabeça. Mas me contento com o fato de que nem sempre dá pra alcançar os significados de cada coisa. Paciência, isso só enriquece o repertório da vida.

      Você que é especialista em filmes asiáticos, que me apresentou o maravilhoso Kim ki Duk,.. pode ter certeza que já pus na lista Dolls e Gabbeh.

      e nunca se furte de pôr seus grandes comentários. Aqui ainda é um espaço em que o tamanho não é documento e a curiosidade supera a preguiça.
      :)

      abraço

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  3. Olá Az
    Eia que o seu travelling inverso ficou muito bom, olha que nem precisava ser coreano para o estranhamento, mas se vai ao encontro do que é falado além da fronteira das culturas, demasiadamente humano, e por isso permeia todas elas, será algo pelo qual seremos tocado. Como já disse Guimarães Rosa “são milhões os jardins e todos eles se falam”.
    (Essa parte é uma nota de esclarecimento) “especialista” que você se referiu for aquele que se pensa sabedor profundo de algo, sinto dizer que sou apenas curiosa. Agora, se o “especialista” for aquela que traz uma “especial-lista” de filmes que a encantaram e que concorda com Bartolomeu C. Queiroz quando disse “Belo é tudo aquilo que eu não dou conta de ver sozinho”. Um tipo que faz comentários longos. Bingo! Essa cara sou eu. =)))
    Então, para não perder o hábito, da minha “especial-lista” mais uma dica, até talvez já tenha assistido, trata-se do “Departures” é qualquer coisa de simples encanto, a música é qualquer coisa que seus ouvidos vão te agradecer e se liga na pedra é um jeito de se dizer ao outro que é inesquecível.
    Assisti 7 dias em Havana, aiaiai como são vários diretores merecia vários comentários, talvez o povo de Havana merecesse de alguns melhores olhares.
    Abraço

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  4. Já que postou o torrent vou agradecer ajudando a explicar o filme...
    O filme tem tem um apelo para a cultura tailandesa que torna difícil um ocidental entender realmente (como estou indo morar por lá, pude sacar coisas que mta gnt ñ pegaria) e por mais que pareça sem pé nem cabeça, o filme tem um pé no chão sim!
    [spoilers ahead]
    a minha maior impressão do filme foi a diferença abrupta dentre os dois momentos, antes e depois da morte do personagem. Todo ambiente muda de um momento para outro.
    A Tailândia é parecida com brasil em muitos aspectos, um deles é a urbanização e modernização nos últimos 50 anos, que separou duas realidades, uma ligada à antiga Tailandia, rural e quase indígena, e uma urbana e moderna.
    A primeira cena, um homem tendo de buscar o búfalo da família que fugiu para a floresta habitada por espíritos, seria uma cena comum na 'Tailândia antiga'. Espíritos e criaturas como o 'macaco fantasma' eram tão reais quanto lobisomem e saci eram no brasil rural de antigamente (e ainda são em alguns lugares). A cena de uma vida passada remonta ao período aiuthaya e finca as raízes dessa 'tailândia fantástica' séculos atrás.
    A segunda metade retrata o tédio e o materialismo. O sobrinho que enquanto toma a ordenação temporária (costume tailândês) em nome do tio, tira o manto, fica sozinho com mulheres, e sai para comer de noite - algo mais ou menos como se você quebrasse uma estátua de nossa senhora na frente da sua avó católica. e eles acabam o filme em um karaoke (acho que nada representa mais a decadência moderna que isso)
    Por isso temos a primeira parte, mostrando uma tailândia misteriosa, viva e uma segunda moderna mas sem vida nem valores.
    isso pode ser observado indiretamente em vários diálogos do filme como quando ele diz que construiu um quarto novo, moderno, de concreto, mas que ficava mais confortável no antigo.
    O personagem Tio Boonme representa a 'velha tailandia', que tem dado lugar nas últimas décadas para uma modernidade ridícula nos padrões McDonalds, e que está morrendo. Uma realidade, que como o personagem, nasceu há muito tempo no interior de cavernas. O olhar final do filme não poderia ter um ar maior de nostalgia, nostalgia de um tempo que os mortos ainda voltavam, que as pessoas tinham valores, saudades da antiga Tailândia, saudade de boonme.

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    1. Icaro, valeu, muito obrigado.
      Realmente, não cogitei essa questão cultural. Você explicando, faz tudo um pouco mais de sentido. É um filme bem complicado, mesmo com as referências que você traz. Mas, que legal entender um pouco mais a história e os simbolismos tailandeses.
      valeu mesmo.
      abraço,
      Az

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  5. -A Coréia do Norte é punk, tudo.
    Agora, imagina os filmes!
    Augusto.

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  6. Olá... gostaria de saber se não possui a legenda em português para esse filme, a que vem está em inglês! Obrigado!

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    1. Oi Fábio.
      Acabei de checar aqui e a legenda que tá nesse link é em português. Dá uma olhada...
      qualquer coisa, me manda um email pra 366filmesdeaz@gmail.com que eu te envio..
      abraço
      Az

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    2. Muito obrigado, Az... não sei o que havia acontecido, baixei de novo e veio e português! Ah... e aproveitando a oportunidade, parabéns pelo site e muito obrigado por disponibilizar tanto material bacana pra nós! Seu blog é incrível!

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