quarta-feira, 19 de junho de 2013

56 - O amor natural (idem) – Holanda (1996)


Direção: Heddy Honigmann
Documentário que traz poemas eróticos escritos por Carlos Drummond de Andrade, publicados após a morte do escritor.

O título do filme é “O amor natural”, mas que de natural ele não tem é nada.

A produção holandesa percorre o Rio de Janeiro, apresentando para os moradores da cidade poemas eróticos escritos por Carlos Drummond de Andrade.

Do ponto de vista literário, ótimo. São poesias pouco conhecidas e que revelam que o poeta entendia muito de sexo e que tinha uma capacidade enorme de, com as palavras corretas, tornar atraente algo que é moralmente um tabu (ainda mais em uma sociedade de quase 20 anos atrás).

Só que do ponto de vista cinematográfico, o filme é terrível. A intenção era mostrar a reação de “pessoas comuns” diante dos poemas. No entanto, é notório que quem está ali são atores ou pessoas que nitidamente interpretam sua cena, como bem queria a direção. Aliás, pude reconhecer uns dois ou três que de fato são atores. As reações, portanto, soam falsas e previsíveis, o que destrói o caráter documental da obra.


Portanto, para quem gosta de Drummond (e de sexo verbal), é um bom filme. Mas para quem gosta de cinema (e ainda mais se tiver acostumado com Eduardo Coutinho), a obra é incômoda.



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6 comentários:

  1. Estou no meio termo.....entre Drummond e Coutinho.....vou arriscar. kkk

    abs

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    1. é, "Drummond" já é um grande argumento para ver esse filme. Tomara que você goste...
      abraço, Renato!

      Az

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  2. Olá Az
    Não vi ainda,também vou arriscar, mas vou arriscar também um compartilhamento:

    https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a

    E Drummond? Será que se pudesse acharia o texto válido?
    Um abraço
    Soli

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    1. Muito obrigado por compartilhar esse texto, Soli. Estou escrevendo após 3 dias de muita febre alta, que aparentemente veio de uma infecção alérgica provocada pelos tiro na cara e as 8 horas de gás lacrimogêneo que recebi da gloriosa Polícia Militar do Estado da Bahia. As coisas aqui não estão fáceis. A ordem é descer o cacete, em quem for e aonde for.

      E confesso que tá tudo muito estranho mesmo. Bom saber o relato de outras cidades. Aqui em Salvador, felizmente não sinto esse ar golpista, nem o fascismo nas ruas. Mas percebo uma multidão despolitizada que repete os mesmos discursos vagos e revindicações genéricas. E como se não bastasse, as pessoas escolheram como alvo um único partido, mesmo fazendo questão de se autodenominarem "apartidários". Um doce para quem adivinhar que partido é esse.

      Tenho tido medo desse gigante que acordou e torcendo para que quem acordou agora vá ler os livros de história ou volte a dormir.

      Só falta agora a próxima Veja ter Joaquim Barbosa na capa. Aí a coisa ficará mesmo séria. É tá tudo mesmo estranho. Fico com o slogam de um comercial de produtos para bebês: "nos primeiros passos, todo cuidado é pouco".

      abraço
      Az

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  4. Olá Az
    Tem mesmo muita coisa acontecendo nesse Brasil. De fato é preocupante a figura do “gigante que acordou”, se assim for ele não acordou de um sono saudável, talvez tenha se levantado de entorpecimentos induzidos e levantou doente e incoerente.
    Tenho visto, por hora, coisas que tem me espantado, mas ainda bem que o nosso olhar do presente é sempre provisório e enevoado e novas evidências vão surgindo para tornar mais claro esse quadro, ou não rsrsrs.
    Se o fato e a interpretação dos fatos exigem compreensão histórica, a nossa historia exige metodologias menos positivistas e autoritárias para se fazer compreendida e as gentes precisam não apenas voltar aos livros, mas precisamos de escrever novos livros, livros que contemplem com mais justeza e que leve em conta a amplitude das sutilezas que vão se manifestando através dos movimentos de massa. Enfim, ainda prefiro antes o conturbamento das crises do que a pasmaceira da harmonia das superfícies.
    Outro dia vi um cartaz que gostei e ele dizia mais menos assim: “O gigante pode ter acordado, mas periferia nunca pode dormir” acho que era isso. No entanto vi outro que dizia exatamente assim: “Quero uma bolsa louis vuitton” Pois é, minha esperança é que o sarcasmo e a ironia de quem segurava o cartaz sejam muito afinados, porque nessa efervescência há sempre o espaço da dúvida.
    Um abraço e melhoras para tua saúde.

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