terça-feira, 31 de julho de 2012

175 - Gran Torino (idem) – Estados Unidos (2008)



Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Nick Schenk; Dave Johannson
Walt Kowalski é um veterano da guerra da Coréia que, pressionado por seus vizinhos imigrantes, deverá confrontar-se com um jovem que tentou roubar seu valioso Gran Torino 1972.

Clint Eastwood em uma de suas melhores performances como ator.
Já o roteiro não possui nada de excepcional: um personagem rabugento, que se humaniza durante a trama, à medida que vai se relacionando com outros indivíduos; conflitos étnicos no subúrbio estadunidense; drama misturado com humor e violência sutil, não apelativa.
Mas, é justamente por adotar esses recursos, que Eastwood mantém o espectador atento, leve e capaz de se emocionar.
Gran Torino certamente entra para o hall dos melhores filmes do diretor que, mais uma vez, não decepciona.


Minha Nota: 7,8
IMDB: 8,3
ePipoca: 9,5

Sugestão: Os Donos da Rua

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174 - Tetro (Tetro) – Estados Unidos (2009)



Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola; Mauricio Kartun
Escritor que rompeu os laços com seu pai vive em exílio na Argentina. Bennie, seu irmão de 18 anos, parte para encontrá-lo em Buenos Aires para tentar descobrir os segredos mais escondidos da família.

Certamente Coppola vai ser eternizado como “o diretor de O Poderoso Chefão e Apocalypse Now”. Mas, além das superproduções, ele consegue manter o preciosismo em obras mais modestas.
É o caso de Tetro, um filme “despretensioso”, de baixo orçamento, mas que prima pela bela fotografia e um roteiro que prende o espectador do início ao fim. Apesar dos 15 minutos de finais, onde há um excesso de informações e muita coisa acontece de forma corrida, o roteiro é muito bem elaborado. Enquanto desenvolve um drama familiar, ele instiga o espectador justamente pela escassez de informações, que vão pouco a pouco sendo apresentadas e, desta forma, permitindo conhecer melhor os personagens.
Segundo o diretor, Tetro é um filme baseado na sua própria história familiar, em que ele demorou cerca de quatro meses para escrevê-lo e dois para filmar. Essas e outras informações ele cita na entrevista com Jô Soares, na época de seu lançamento. A entrevista é uma das piores que eu já vi no Programa do Jô – parece que o entrevistador acordou de ressaca e foi lá, apresentador o programa. No entanto, as falas de Coppola são interessantes. Para ver a entrevista, clique aqui.


Minha Nota: 8,1
IMDB: 6,9
ePipoca: 8,6

Sugestão: Um lugar qualquer

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segunda-feira, 30 de julho de 2012

173 - O Demônio das Onze Horas (Pierre le Fou) – França (1965)



Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard; Lionel White
Cansado de sua monótona vida burguesa, Ferdinand foge com Marianne, uma mulher que já fora sua amante no passado. Quando um corpo é encontrado na casa dela, os dois saem em direção ao sul da França em busca de novas experiências de vida.

Tenho um certo receio de falar sobre os filmes de Godard. Sempre acho que posso estar falando a maior besteira do mundo, sobretudo porque inicialmente eu não gosto. Acho chato, cansativo, exagerado. Mas, depois quando eu começo a ler sobre o filme, rever algumas passagens e ouvir minha ex-professora Maria do Socorro analisá-lo eu começo a rever os meus conceitos.

Para não fugir à regra, a minha impressão sobre O Demônio das Onze Horas – que não faço a mínima idéia de por que traduziram com esse nome – foi que o achei um pouco entediante e difícil de assistir. Mas, reconheço que a “subversão” narrativa me interessou. As experiências de Godard com a linguagem cinematográfica podem não criar filmes prazerosos de se assistir, mas certamente abrem um leque de possibilidades e recursos para qualquer cineasta.

De O Demônio também se tira a belíssima fotografia, os acontecimentos inusitados, as cores e as canções, extremamente sedutoras na voz de Anna Karina. Tudo isso, compondo um experimentalismo estético e original, que dão riqueza ao filme.

Talvez, a melhor sinopse para a obra se resuma no seu próprio texto inicial, onde o personagem lê uma citação sobre Velásquez:
"Depois dos cinqüenta anos, Velásquez parou de pintar coisas definidas. Ele rodeava os objetos com o ar, com o crepúsculo, capturando na sua sombra e fundos atmosféricos... as palpitações da cor... que formavam o invisível núcleo de sua sinfonia silenciosa. Sendo assim, ele apenas capturava aquelas misteriosas interpretações de forma e tom que formam uma constante, uma progressão secreta, que não é traída ou interrompida nem por choques ou sobressaltos.”

E a partir daí, Godard constrói o seu filme.

Minha Nota: 7,5
IMDB: 7,6
ePipoca: 5,5

Sugestão: Os Incompreendidos

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

172 - E aí, meu irmão, cadê você? (O brother, where art thou?) – EUA (2000)



Direção: Ethan Coen; Joel Coen
Roteiro: Ethan Coen; Joel Coen
Filme baseado no Odisséia de Homero, mistura o humor estranho e típico dos irmãos Cohen ao retratar a fuga de três presos que buscam um tesouro.

O filme é estiloso.
Tem uma fotografia bem elaborada. Uma hipertextualidade, que traz o guitarrista Tommy Johnson; o criminoso Nelson Baby Face; a seita racista Ku Klux Klan; sem falar na própria Odisséia, cujo texto foi adaptado, como bem indica os letreiros iniciais do filme. Além disso, as interpretações musicais empolgam os amantes do blues e country.
Mas, o que é mais marcante no filme são as bizarrices que os três presidiários fugitivos encontram pelo caminho: mulheres sedutoras que transformam um homem em um sapo; um vendedor de bíblias ladrão; uma criança que acelera seu carro para fugir da polícia; os dois pares de trigêmeas; a vaca em cima do telhado. Enfim, são diversos personagens e situações bizarras.
Com todo esse repertório, os irmãos Coen abordam e muitas vezes debocham dos costumes sulistas dos Estados Unidos. Brincam com a religiosidade, que acompanha toda a narrativa, e suas águas capazes de perdoar e salvar; além de passear pelo universo político da região, onde o vale-tudo eleitoral produz uma espetacularização do processo, onde os ideais e programas de governo são substituídos por anões, apresentação de bandas e muito populismo (familiar, não!?).
Ou seja, E aí, meu irmão tem um roteiro inteligente e uma realização bem elaborada. O problema é a falta de ritmo, sobretudo na sua primeira metade.
E, cá para nós, o filme não chega a ser muito engraçado.


Minha Nota: 7,0
IMDB: 7,8
ePipoca: 8,6

Sugestão: Chumbo Grosso

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Torrent + Legenda (rapidshare)
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

171 - O Pagador de Promessas (idem) – Brasil (1962)



Direção: Anselmo Durte
Roteiro: Anselmo Durte; Dias Gomes
Zé do Burro faz uma promessa a Iansã em um terreiro de candomblé e, para cumprir, precisa levar uma cruz à Igreja de Santa Bárbara. Mas, para conseguir, precisa enfrentar a resistência do clero, a truculência da polícia e o oportunismo da imprensa e das pessoas ao seu redor.

Dá uma sensação especial saber que nas escadarias em que às terças-feiras eu dançava ao som de Gerônimo, uma vez subiu Zé do Burro.
A escadaria continua lá e por lá circulam baianos, turistas, artistas, ladrões, políticos, viciados em crack, católicos e candomblecistas. No dia de 4 de dezembro, Santa Bárbara continua virando Iansã e todo mundo continua comendo caruru.
Os jornais continuam explorando pautas sensacionalistas, desprovidos de ética; tudo continua virando festa na cidade; e a polícia continua sendo o braço armado na defesa dos interesses dos poderosos.
O que mudou é que, se fosse hoje, Zé do Burro entraria facilmente na igreja. A fé do baiano é tão curiosa que católico leva flores para Iemanjá e babalorixá só faz santo em menino batizado. Vai entender...
Em O Pagador de Promessas o que se vê é uma tríade que vai além da religião: ignorância, desrespeito, violência. É a ignorância do padre, por satanizar algo que ele desconhece; daí, vem o desrespeito, ao vetar e difamar Zé do Burro; culminando na violência moral e física contra o frágil homem que não abriu mão de suas convicções.
O que não falta hoje em dia é ignorância... talvez isso justifique tanta violência banal. Ignorância, desrespeito e violência.
Por essas e outras que O Pagador é lendário. Vai ser sempre lembrado como “o primeiro filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro de Cannes” – e por enquanto o único. Mais um importante clássico da filmografia baiana, mesmo tendo sido realizada pelo "estrangeiro" Anselmo Duarte.


Minha Nota: 8,6
IMDB: 8,1
ePipoca: 9,3

Sugestão: Barravento

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terça-feira, 24 de julho de 2012

170 - Jogada de Risco (Sidney) – Estados Unidos (1996)



Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Veterano jogador ajuda jovem endividado a ganhar a vida como apostador. Dois anos mais tarde, o jovem mostra que foi um excelente aluno, mas sua escolha de amizades é duvidosa e pode levar a um impasse entre os dois.

Quem vê Jogada de Risco ignorando o seu contexto, pode julgá-lo como sendo medíocre, banal.

No entanto, quem conhece a filmografia de Paul Thomas Anderson não tem dificuldades em perceber que Jogada de Risco é, sobretudo, um ensaio para as obras-primas que o diretor faria anos depois.

O filme de estréia de PTA deve ter sido a forma que ele encontrou para testar certos recursos que ele iria aplicar mais na frente, sobretudo no clássico Magnólia (um dos maiores da história do cinema).

Em Jogada de Risco, PTA testa seus atores Philip Baker, Philip Seymour Hoffman e John Reilly; testa sua fotografia, com enquadramentos fora do padrão; seus planos-seqüência (!); seu argumento, trazendo o comportamento humano diante de suas culpas, arrependimentos e indulgência; e sua forma de desenvolver a narrativa, moderna, precisa e inteligente. Mesmo com esse ensaio em sua estréia, PTA já dava indícios de que ele era um diretor diferenciado. Um dos melhores das últimas décadas.

Jogada de Risco, portanto, não chega a impressionar um espectador desavisado, mas consegue agradar os amantes das obras de Paul Thomas Anderson.


Minha Nota: 7,6
IMDB: 7,2
ePipoca: 3,2

Sugestão: À Prova de Morte

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

169 - Adeus, minha Concubina (Ba Wang Bie Ji) – China (1993)



Direção: Kaige Chen
Roteiro: Lillian Lee; Bik-Wa Lei; Wei Lu
Dois homens se unem pelo destino e pela arte, trabalhando para a tradicional Ópera de Pequim. Assim Cheng e Duan se tornaram atores famosos representando a cortesã e o Rei na famosa Ópera ''Adeus Minha Concubina''. Amor, traições e ciúmes envolvem a relação dos dois colegas, em uma China que passa por constantes transformações políticas.

Adeus, minha concubina é uma verdadeira homenagem ao teatro, ao cinema, à ópera, à poesia, e à cultura e história da China.

Faltam palavras para comentar sobre as mais de três horas de imagens que saltam ao espectador.

É um filme belíssimo e poético.


Minha Nota: 8,0
IMDB: 7,9
ePipoca: 6,4

Sugestão: Cisne Negro

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domingo, 22 de julho de 2012

168 - A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole) – EUA (1951)




Direção: Billy Wilder
Roteiro: Victor Desny; Walter Newman; Lesser Samuels; Billy Wilder
Repórter em decadência fareja um grande assunto quando homem fica preso numa mina por acidente. Com a cumplicidade do xerife e da mulher da vítima, explora o fato, revive seus tempos de glória e influência no jornalismo, mas não parece muito disposto a salvar a vida da vítima.

Há mais de 50 anos, muitos devem ter se surpreendido com a capacidade humana de explorar midiaticamente a miséria humana, em troca de uma matéria exclusiva, de uma reportagem de grande visibilidade, de uma promoção de cargo, de dinheiro, ou de uma eleição política. Apesar de que esse tipo de acontecimento sempre ocorreu, mesmo antes da Montanha dos Sete Abutres.

O que entristece é ver que as coisas não mudaram muito de lá para cá. O Brasil ainda não regulamentou a imprensa e por isso o Estado e a sociedade sofrem na mão das ultrapoderosas famílias que controlam o que a população vai saber e de que forma saberá.

É por esse indiscriminado poder na mão de poucos, que ainda temos que ver bicheirospautando matérias em revistas de grande circulação, apresentador mandando matar para obter exclusivas, repórter se sobrepondo à lei e humilhando presidiários e tantas outras práticas cometidas por esses abutres.

É a lógica do “eu não prendi ele na montanha, mas já que ele tá lá, vamos explorar e tirar vantagem disso”. Não é à toa, o nosso mundo virou um verdadeiro circo. Tudo vira reportagem. E quanto mais bizarro ou miserável, mais projeção se dá ao caso. Nunca por um viés humanista ou solidário, mas por um oportunismo barato e um sensacionalismo mesquinho. Tudo vira espetáculo nas capas dos jornais.

A Montanha é um filme obrigatório para qualquer estudante de comunicação, sobretudo jornalistas. Pode não ajudar muito, até porque quem manda na notícia não é o jornalista, mas é o dono doveículo. No entanto, serve para sensibilizar e nos fazer lembrar que deveria existir ética nessa profissão.


Minha Nota: 8,1
IMDB: 8,2
ePipoca: 7,9

Sugestão: Cidadão Kane

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

167 - Julieta dos Espíritos (Giulietta degli Spiriti) – Itália (1965)



Direção: Frederico Fellini
Roteiro: Frederico Fellini; Ennio Flaiano; Tullio Pinelli; Brunello Rondi
Mulher da alta burguesia desconfia que seu marido lhe é infiel. Ao investigar a suposta traição, enfrenta crise existencial que a leva a ter alucinações com o passado - um verdadeiro caleidoscópio de imagens, sonhos e visões espiritualistas.

Se eu fosse fazer um top 5 de Fellini, certamente Julieta ficaria de fora. Não que o filme seja ruim – não é – mas fica aquém de algumas das obras-primas desse que é um dos maiores cineastas da história.

Acho que falta mais ritmo em Julieta, apesar de sobrar beleza no sorriso de Giulietta Masina.

De qualquer forma, o filme não pode ser descontextualizado. É uma das grandes obras a abordar o feminismo, utilizando os espíritos para encorajar as “Amélias” da década de 1960 a reverem suas vidas e assumirem a autonomia não só de seu corpo, mas de sua felicidade.

Mas, Fellini é Fellini. Talvez a sua pior obra ainda consiga ser muito boa.

...

Algumas referências ao Brasil, no filme:

Em um determinado diálogo, o personagem fala:
- Vou almoçar com aqueles brasileiros. É negócio grande.

Em outra cena:
- Pediu desculpas, chegou alguém do Brasil... disse que telefonará.


Minha Nota: 7,6
IMDB: 7,5
ePipoca: 3,1

Sugestão: O Jardim

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166 - A Criança (L´enfant) – Bélgica (2005)



Direção: Jean-Pierre Dardenne; Luc Dardenne
Roteiro: Jean-Pierre Dardenne; Luc Dardenne
Bruno e Sonia são casados e vivem nas ruas. Bruno consegue proveitos dos furtos que faz pela cidade. No entanto, suas vidas se modificam após o nascimento de seu filho.

Um filme mediano.

De fato, é bem feito. A escolha por um breve recorte temporal e os recursos que praticamente omitem o bebê o tempo todo, acentuando que as crianças, em questão, são seus próprios pais, também criam uma atmosfera interessante. No entanto, falta um pouco mais de verdade, nas atuações, reações e construções psicológicas dos personagens, além de um roteiro mais intenso e menos oco.

Eu esperava mais desse filme.


Minha Nota: 7,2
IMDB: 7,4
ePipoca: 8,0


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quinta-feira, 19 de julho de 2012

165 - Bal-Can-Can (Bal-Can-Can) – Macedônia (2005)



Direção: Darko Mitrevski
Roteiro: Darko Mitrevski
Um desertor macedônio e seu irmão de sangue italiano percorrem o submundo do crime nos Balcãs, em busca do cadáver de sua sogra, que se encontra enrolado dentro de um tapete roubado.

Alguns diretores já perceberam o quanto é pertinente usar o humor, para se tratar do delicado tema da guerra.

Em Bal Can Can essa proposta de sátira já é exposta desde o início. Tudo começa a partir de um diálogo entre um homem que já está morto e seus "colegas" na sala do necrotério.

Daí em diante o humor mórbido prevalece. O protagonista e o seu irmão de consideração partem em uma aventura para tentar achar um tapete roubado, em que o cadáver da sogra estava enrolado. Se esse mote já é insano, igualmente são todas as mortes que se sucedem. Os dois personagens, ao procurar o tapete, seguem pistas de chefões do crime organizado. Com isso, ambos fazem uma verdadeira viagem pelo Leste Europeu, revelando como a banalidade da morte por motivos fúteis chega a ser cômica, se não fosse trágica.

A epopéia parte da Macedônia – que não é um tipo de salada, uma marca de cigarros, nem uma comunidade mórmon em Ohio, como é ironizado logo no início do filme, fazendo piada do desconhecimento do mundo sobre esse país, nos Balcãs. De lá, em busca do tapete, os personagens se encontram com bandidos na Sérvia, Montenegro, Bósnia e Kosovo. Em todos esses lugares, o que se vê é sangue sendo derramado por nada e diálogos insanos. Novamente, toda essa loucura torna o filme engraçado, mesmo sabendo que esses recursos servem para camuflar a barbárie da guerra.

No entanto, no final, todo o bom humor é substituído por uma seriedade. É como se o diretor dissesse: “Ok, acabou a graça. Vocês entenderam a lógica do filme e o nosso cenário até aqui foi esse. Daqui para frente pretendemos não precisar mais usar o humor para falar das mortes, pois esperamos que não tenham mais mortes banais. Aqui estão as crianças, libertas dessa Indústria da Carne. Aqui está a nossa esperança”.

E é justamente nesse clima final de seriedade, que se trava um diálogo que resume bem a mensagem do filme:
- Eu lutei sob o seu comando. Eu confiei em você. Minha família foi morta defendendo você do exército servo. Vá para o inferno, Shefket Ramadani!
- Meu nome é uma lenda. Não o pronuncie.
- Você é uma desgraça para a nossa causa. Nós não lutamos a guerra para tipos como você...
- Você está errado, Kreshnik! As guerras são lutadas para tipos com eu ... e contra tolos como você.

E a síntese ou sinopse do filme, pode ser copiada de mais uma fala, já no final:
- Meu nome é Santino Genovese. Eu vim aos Balcãs para pagar uma velha dívida. Junto de meu irmão de sangue, Trendafil, nós temos procurado por uma velha, amarrada dentro de um tapete. Nós fizemos uma longa jornada, recheada de risadas e lágrimas. Uma aventura estranha ... que está para acabar.
E, por fim, a última citação do personagem:
- “Não cabe a mim ser um herói. Mas, é óbvio que os problemas de duas pessoas pequenas como nós não significam nada para esse mundo louco”. Humprey Bogart, Casablanca.

Além de tudo isso, o filme é carregado de referências a personagens reais e filmes estadunidenses, como O Poderoso Chefão, além da dedicatória à Billy Wilder.


Minha Nota: 8,4
IMDB: 7,3
ePipoca: -


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quarta-feira, 18 de julho de 2012

164 - Um filme falado (Um filme falado) – Portugal (2003)



Direção: Manoel de Oliveira
Roteiro: Manoel de Oliveira
Rosa Maria, uma jovem professora de História, parte com a sua filha Maria Joana num cruzeiro que atravessa o Mediterrâneo e se dirige a Bombaim, na Índia, onde se reunirão com o seu marido. A viagem é um verdadeiro passeio pelas civilizações ocidentais.

Sem dúvida que os ataques às torres gêmeas mexeram com muita gente. Provavelmente o “11 de Setembro” (dos EUA e não o do Chile) vai ser um marco da nossa história, estudado por crianças daqui a 100, 200, 300 anos – se é que ainda teremos planeta Terra até lá.

O interessante, no entanto, é o desdobramento desse acontecimento no cinema. Se alguém pedisse para fazer um filme sobre esse fatídico dia, provavelmente a última coisa a se pensar seria a história de uma mãe e filha portuguesas à bordo de um cruzeiro pela Europa e norte da África.

Mas, essa foi a escolha de Manoel de Oliveira.

Um filme falado basicamente se divide em duas partes. A primeira é um verdadeiro passeio pelas civilizações ocidentais, incluindo as clássicas Grécia, Itália e Egito. É uma espécie de aula de história, literalmente falada, e ilustrada por imagens contemporâneas que preservam o antigo, como as pirâmides egípcias, oferecendo uma belíssima fotografia. Certamente, os professores de história da 8ª série iriam adorar passar esse filme em sua aula, enquanto corrigem as provas da semana passada. Os alunos é que talvez não se concentrassem tanto, já que o filme exige uma calma e quietude incompatível com os hormônios juvenis. Provavelmente, só um ou dois prestariam atenção no filme, enquanto os demais dormiriam, brincariam de ABC, ou sairiam da sala para namorar, jogar totó ou bater um baba.

Mas, eis que essa história contada – interessante, porém monótona – é interrompida por uma espécie de “segunda parte” do filme, totalmente distinta da primeira. Nesse momento, não há mais desembarques, nem explicações sobre as cidades. A história se concentra no interior do navio, em uma roda de conversas envolvendo o capitão (John Malkovich !!!), três mulheres e, em seguida, a protagonista e sua filha. Todas falando em seu idioma: português, grego, francês, inglês e italiano.

Os cinco personagens começam a refletir criticamente sobre a evolução das civilizações, com suas guerras, tradições, erros, acertos, construções e destruições. Tudo isso levemente misturado com questões pessoais, particulares. É um momento em que toda a história vista na primeira parte passa a ser julgada e o que se conclui é que as divergências entre civilizações sempre tenderam mais para a destruição e o desafeto, do que para a construção de uma humanidade global, e não fragmentada em diversos cacos desarmônicos. O filme mostra que é possível se entender, mesmo se falando em uma outra língua. No entanto, a guerra consegue se impor a isso e destruir tudo o que foi construído baseado na fraternidade e respeito à diferença.

E onde entra o 11 de setembro? Na última cena.

...

Uma curiosidade: há algumas referências feitas ao Brasil.
Em uma cena, o capitão conversa com a personagem:
- ... e nem sequer terá de falar inglês, porque eu passei uns anos no Brasil, por isso, mesmo não falando, eu entendo o português muito bem.
Em uma seqüencia mais à frente, o mesmo capitão reforça que já morou no Brasil por alguns anos.
Por fim, um diálogo:
- Os portugueses viajaram por todo mundo. Os gregos também viajaram por todo o Mediterrâneo, e muito para o Leste. Até à Índia. Eu penso que é curioso que o português, como língua, comparado, por exemplo, com o grego, estabeleceu-se no Brasil, na África, em algumas partes da Ásia, Oceania e até na América do Norte. Enquanto isso, a língua grega ficou restrita à Grécia.


Minha Nota: 7,3
IMDB: 6,8
ePipoca: 3,3


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terça-feira, 17 de julho de 2012

163 - Eu não tenho medo (Io non ho paura) – Itália (2003)



Direção: Gabriele Salvatores
Roteiro: Niccolò Ammaniti; Francesca Marciano
Michele é um garoto de nove anos de idade que está brincando, quando descobre outro menino, Filippo, preso dentro de um buraco. Ele percebe que uma pessoa estava próxima dali e começa a suspeitar. Mas, ele não tem certeza se deve contar a alguém o que acabou de descobrir.

Eu não tenho medo é um filme de difícil classificação. Ele possui características de suspense, sobretudo no começo. Mas, aos poucos vai abrindo mão do mistério e da tensão comuns nesse gênero e passa a se aprofundar no drama de uma relação envolvendo duas crianças e ainda os pais de uma delas.

Os típicos recursos do suspense também são pouco utilizados. O bom e velho susto só é usado em uma cena, logo no começo. Daí em diante a atmosfera obscura e misteriosa dos filmes de suspense são substituídos por uma fotografia paradisíaca e muito bem iluminada.

Como bem sugere o título, não precisa ter medo para ver esse filme. Pelo contrário, é bem provável que o espectador se emocione, em vez de se assustar.

...

Curiosidade:
São feitas referências ao Brasil.
Em uma seqüência, o personagem mostra uma foto para a criança e diz:
- Esta é minha casa no Brasil. Não se vê nada, porque um amigo meu, Paco, está na frente. Ele morreu. Esta é minha mulher. Meu amor, minha princesa, veja.
Ao olhar a foto, a criança questiona:
- Você tem uma mulher negra!?
Contrariado, o homem responde:
- De cor! Você não sabe como é o Brasil. A vida lá é muito barata. Os serviçais (empregados) lhe reverenciam. Não é como essa droga de país (Itália).
- O Brasil está muito longe?
- Muito, Michele. Muito. Agora, durma.

Em outra seqüência, a criança conduz um veículo e o homem exclama:
- Segura bem no volante. Parece o Fittipaldi! Muito bem, garoto!


Minha Nota: 7,5
IMDB: 7,5
ePipoca: 6,8

Sugestão: O sol é para todos

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

162 - Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) – Estados Unidos (2011)



Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Em viagem pela capital francesa, um jovem escritor todas as noites se transporta para a Paris dos anos de 1920. À medida que se aproxima de célebres artistas da época, que o ajudam a terminar o seu romance, o rapaz se distancia de sua noiva.

Novamente, o cinismo, o bom humor e as referências (dessa vez, literárias) de Woody Allen entram em ação.

O roteiro é bem desenvolvido, apesar de que em um ou outro momento ele se repete. Mas, o que mais valoriza o filme é o seu argumento.

A idéia do personagem passear pelo métier dos grandes artistas franceses da década de 1920 é interessantíssima, culta e ao mesmo tempo debochada.

Mas, a sensação que eu tenho é que Woody ligou sua máquina de fazer filmes, e agora produz quase que mecanicamente, sem parar, um filme por ano (e se deixar, faz até dois). Em cada um deles, uma pitada de originalidade e inteligência. No entanto, acho que se ele desse uma pausa e ficasse três anos se dedicando a um único projeto, o resultado poderia ser um filme muito mais genial e marcante do que os que tem feito.


Minha Nota: 7,9
IMDB: 7,8
ePipoca: 7,5


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161 - Hamaca Paraguaya (Hamaca Paraguaya) – Paraguai (2006)



Direção: Paz Encina
Roteiro: Paz Encina
Ambientado em 1935, a história mostra um casal de idosos que vive à espera do filho, da chuva e por dias melhores.

Em solidariedade aos hermanos paraguaios, que passam por uma turbulenta fase, com sua construção democrática interrompida após um golpe de Estado institucionalizado, resolvi assistir Hamaca Paraguaya, primeiro filme do Paraguai após décadas.

O filme é bem ousado do ponto de vista estético, pois existem praticamente três personagens, sendo que um partiu para uma guerra e os outros dois passam praticamente o filme inteiro sentados em uma rede, vistos a partir de um único plano aberto e com uma distância que não permite sequer visualizar seus rostos.

A história é pautada na falta de sentido de um casal idoso, depois que seu filho vai à guerra. A expectativa de seu retorno e tentativa de conformar-se com sua provável morte é a única coisa que resta para se apoiar em seus dias, que passam lentos, sem perspectiva de nada, sem atrativo algum, em um lugar pobre e isolado.

Para tentar transmitir essa sensação, o diretor optou por fazer um filme, justamente, lento, sem perspectiva, com poucos atrativos e monótono. E conseguiu.

O problema é que a chance de um filme que passa praticamente o tempo inteiro com um único plano e com ausência de ações, deve ter uns 93,58% de dar errado. E Hamaca Paraguaya não foge à estatística.


Minha Nota: 6,5
IMDB: 6,5
ePipoca: 1,3

Sugestão: A Terra Abandonada

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

160 - A General (The General) – Estados Unidos (1927)



Direção: Buster Keaton; Clyde Bruckman
Roteiro: Buster Keaton; Clyde Bruckman; Paul G. Smith
Johnnie é apaixonado por sua locomotiva, a General, e também pela bela Annabelle Lee. Quando a Guerra Civil tem início, ele não é aceito como combatente porque seria mais útil como engenheiro da ferrovia. Porém, Annabelle passa a considerá-lo um covarde por não lutar. É quando a General e Annabelle são raptadas por espiões da União, e Johnnie sai para salvá-los.

Nem só de Chaplin viveu a comédia do cinema mudo.

Buster Keaton dá um show de direção e interpretação, fazendo rir no meio de uma guerra civil.

É sempre bom ver que nem sempre é preciso apelar, para despertar o bom humor.


Minha Nota: 7,3
IMDB: 8,4
ePipoca: -

Quem gostou desse filme, pode gostar de:

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159 - Na captura dos Friedmans (Capturing the Friedmans) – EUA (2003)



Direção: Andrew Jarecki
Roteiro: Andrew Jarecki
Documentário sobre Arnold Friedman e seu filho Jesse, de 19 anos, que em 1987 na cidade de Long Island foram presos sob a acusação de estupro e sodomia por alguns meninos que tinham aulas de computação no porão da casa deles. Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival/2003.


O título é Na Captura dos Friedmans, mas bem que poderia se chamar A Fantástica Viagem à Psique Humana.

A partir de um roteiro que consegue ser investigativo e manter um suspense, mesmo quando o assunto é baseado no real e, portanto, já teve o seu veredicto, o diretor apresenta ao espectador informações que impressionam pela surpreendente capacidade da mente humana.

Na tentativa de permitir que cada um contasse sua versão, o diretor acaba por manter uma certa neutralidade e deixa o espectador confuso, sem saber “quem está mentindo”. No final de tudo, é que se dá conta de como o conceito de “mentir” pode ser relativo.

Já que não dá para entrar na mente de Arnold Friedman, o que resta é se apegar na sua história de vida. A sua relação com a mãe na infância e o que isso desencadeou nele e no seu irmão, sob o ponto de vista sexual, permite que o espectador se aproxime dos distúrbios que moldaram o seu comportamento. Não justifica, mas intriga pelo impacto psíquico.

Igualmente impactante é o comportamento das supostas vítimas. É impressionante perceber a possibilidade do ser humano ser refém de sua própria mente, onde as lembranças podem simplesmente desaparecer, devido a um trauma, ou como elas podem ser recuperadas ou simplesmente induzidas, forjadas ou sob o efeito de hipnose, e aceitas como real, como algo que realmente aconteceu, mesmo que ninguém consiga provar, nem o próprio “dono da lembrança”.

Também não deixa de ser interessante o comportamento da polícia, cujo psicológico interferiu diretamente nas investigações, gerando resultados contestáveis. Isso tudo sem falar na reação dos filhos, extremamente convincentes, mas ao mesmo tempo insanas. Dolorosamente insanas, resultado de um turbilhão que sacudiu as suas mentes e também gerou um desequilíbrio entre o que foi real e o que não foi, o que era verdade e o que era mentira, o que eles acreditavam ou que se forçaram a acreditar.

Na Captura dos Friedmans é um filme interessante, sobretudo sob o ponto de vista psicológico, psiquiátrico e policial.

Isso tudo, contanto com o privilégio de ter como complemento às filmagens do diretor, as imagens capturadas pelos próprios Friedmans, no íntimo de sua prisão domiciliar. Tais imagens valem ouro para um documentário e ajudaram bastante para retratar o desequilíbrio e o desmoronamento dessa família, que durante anos foi construída sobre pilares de ilusão, perversão e mentira.


Minha Nota: 7,8
IMDB: 7,9
ePipoca: -

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