sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

361 - O riso dos outros (idem) – Brasil (2012)



Direção: Pedro Arantes
Roteiro: Pedro Arantes
Existem limites para o humor? O que é o humor politicamente incorreto? Uma piada tem o poder de ofender? São essas questões que o O Riso dos Outros discute a partir de entrevistas com personalidades como os humoristas Danilo Gentili e Rafinha Bastos, o cartunista Laerte e o deputado federal Jean Wyllys, entre outros.

Um documentário interessante, que aborda um tema bastante válido: o humor e seus desdobramentos.
São diversos depoimentos de figuras que são referência no humor atual e que respondem aos questionamentos sobre o preconceito contido nas piadas e o seu potencial de agredir, ofender, estereotipar, alimentar o preconceito, respaldar um discurso e fazer rir.
Algumas falas e argumentos são de tirar o chapéu.
No entanto, me incomodei com a direção do filme. O diretor fez algo que eu considero desonesto, pois apresenta uma roupagem “imparcial”, com diversos depoimentos e personagens diversos, como se a diversidade respaldasse a “democracia” das opiniões. No entanto, sua montagem é sutilmente construída para privilegiar o seu ponto de vista e desvalorizar as opiniões contrárias.
Quem entende um pouco de montagem cinematográfica ou estudou jornalismo, entenderá melhor o que eu estou tentando dizer, após ver o filme.
Mas, superando esse probleminha, é possível refletir com autonomia sobre todo o conteúdo e divergência de opiniões apresentadas no documentário Vale à pena!


Minha nota: 7,1
IMDB:  -
ePipoca: -

Sugestão: Um lugar ao sol

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4 comentários:

  1. Ainda não sabia da existência deste documentário, tenha refletido muito sobre o tema. Ainda que ele seja parcial, fiquei curioso para assistir e saber quais são os argumentos dos entrevistados.

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/12/007-cassino-royale-quantum-of-solace.html

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  2. Assisti já algum tempo e devo concordar, alguns documentários, pelo formato que se apresentam, tentam, como crias do jornalismo, assegurar o caráter ora de verdade ora imparcialidade. No meu entender, em Comunicação, a edição é a morada da intenção. Enfim, analisar piada, humor é passaporte ou vale transporte para ser chato. O humor, assim como o drama, são frutos do seu tempo, espaço e contexto. Então, não se trata do “chatérrimo” politicamente correto, mas, observar o humor que está sendo feito e do qual estamos rindo ou engolindo, pode nos apontar talvez para o que não queiramos ver, entretanto, ele, não deixa de ser um bom registro da tentativa de apresentar os dois lados da moeda.

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    1. Mais uma vez concordo contigo, Soli.
      A montagem é realmente o X da questão, ou como você diz, "a morada da intenção". No caso desse filme, há um ranço jornalístico, que tenta trabalhar um discurso se valendo de uma montagem que aparenta ser imparcial, mas não é. Nunca nada é isento de parcialidade. Mas, se a gente comparar com obras de Eduardo Coutinho, por exemplo, essa parcialidade é muito mais honesta e com menos artimanhas para fisgar o espectador. Dou mais credibilidade a esse tipo de filme.
      Já o conteúdo, gostei muito. Algumas teses, falas e argumentos são interessantíssimos e convidam para uma reflexão. Acho o debate oportuno e é sempre bom revermos os nossos valores e preconceitos que costumam ficar embutidos na nossa gramática, nas nossas novelas, no nosso humor...

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  3. O documentário não é nada imparcial e nem precisa ou deve ser. Tá bem explicito qual o ponto de vista do diretor. Ele mostra o outro lado da moeda apenas para revelar qual fraco e abobado é o discursso dos comediantes que se utiliziam dos estereotipos e preconceitos.

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