sexta-feira, 30 de novembro de 2012

313 - Todos os homens do presidente (All the president´s men) – EUA (1976)



Direção: Alan J. Pakula
Roteiro: Carl Bernstein; Bob Woodward; William Goldman
Em 1972, dois jornalistas do The Washington Post levam a público a descoberta de que havia microfones escondidos na sede do partido democrata. O caso ficou conhecido como o escândalo de Watergate, nome do famoso hotel na capital americana.

De todas as versões de Hollywood, talvez Todos os homens do presidente seja o filme que melhor retratou o “caso Watergate” – um dos maiores escândalos políticos dos Estados Unidos.
A história é contada a partir da perspectiva dos jornalistas que investigaram o caso, Bob Woodward e Carl Bernstein, muito bem interpretados por Robert Redford e Dustin Hoffman.
Apesar de se saber o resultado final da história, já que ela ocorreu na vida real, o filme segue uma linha investigativa que envolve o espectador. O bom e velho jogo de pistas, erros, acertos e descobertas vai refazendo o caminho utilizado pelos jornalistas para partir de um simples arrombamento à sede do partido Democrata e chegar até o altíssimo escalão da Casa Branca.
Sem dúvida, uma ótima representação de um fato político histórico para os Estados Unidos.


Minha nota: 7,5
IMDB:  8,0
ePipoca: 9,2

Sugestão: O escritor fantasma

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312 - Antes do vôo de volta à Terra (Pries Parskrendant i Zeme) – Lituânia (2005)



Direção: Arunas  Matelis
Roteiro: Arunas  Matelis
Uma graciosa e expressiva jornada nas vidas das crianças que vivem com leucemia no hospital pediátrico em Vilnius, Lituânia. Cada detalhe é cuidadosamente escolhido, composto e editado. Um poético e sentimental documentário vencedor de prêmios sobre a resistência do espírito humano.

O filme tem apenas 50 minutos. É tão curto quanto a vida de algumas das crianças que aparecem nesse documentário lituano, todas em tratamento contra a leucemia.
Por isso, é difícil não se emocionar em alguns momentos, mesmo com o diretor tendo o cuidado para não ser apelativo e nem forçar a barra.
Não sei se a emoção é por pena. Não dá muito para ter pena de crianças que se mostram muito mais fortes do que nós mesmos e tratam a doença com uma naturalidade que, certamente, quem nunca conviveu com ela não tem.
Acho que a emoção é muito mais pela beleza dessas crianças. Por enxergarmos a essência do humanismo e amor gratuito, que só as crianças sabem transmitir. Para os dias de hoje, carentes desses sentimentos, filmes como esses são revigorantes. A doença, talvez, acabe se transformando em um mero detalhe.


Minha nota: 7,7
IMDB:  8,5
ePipoca: -


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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

311 - Uma noite em 67 (idem) – Brasil (2010)



Direção: Renato Terra; Ricardo Calil
Roteiro: Renato Terra; Ricardo Calil
Retrata a famosa noite de decisão do Terceiro Festival de Música Popular Brasileira. O filme relembra a noite de 21 de outubro de 1967 e acompanha a produção musical dos anos 1960 no país com imagens históricas, além de contar com depoimentos inéditos de grandes nomes da música.

Se tem uma coisa que o brasileiro não pode reclamar é de sua produção musical.
Independente de termos Luan Santana, Restart, Cláudia Leitte e Michel Teló, nós temos a possibilidade de escutar coisas maravilhosas, dentro de uma gama incontável de grandes artistas e diversidade de gêneros.
Os músicos que aparecem e cantam em Uma noite em 67 são parte desse legado cultural que nós temos. Quem gosta dos artistas da época dos festivais, vai se deleitar com o documentário.
Alguns depoimentos são interessantes, até para aproximar o espectador que não viveu aquela época do seu contexto. Outros são apenas engraçados, como as divagações de Gilberto Gil, que sempre terminam com uma gargalhada contagiante. Ou de Chico, igualmente engraçadas.
A seqüência do Sérgio Ricardo quebrando o violão é impagável. Eu sempre soube dessa história e até já tinha visto a cena. Mas, nunca a seqüência inteira, desde a entrada do músico no palco até a sua derradeira despedida. Também nunca tinha ouvido o próprio Sérgio comentar o ocorrido e fazer a sua autocrítica.
Até a piadinha sem graça do Roberto Carlos sobre o episódio é engraçada.
Inevitavelmente, abri um extenso e orgulhoso sorriso quando Caetano Veloso respondeu sobre a originalidade instrumental e textual da música Alegria, Alegria: “Depois de pronta eu mostrei a alguns amigos meus, que acharam genial, bacana. Principalmente, o pessoal da Bahia. Eu fui a Salvador, antes do festival, e mostrei aos meus amigos de lá e eles acharam bacana. Inclusive, trazer um conjunto de guitarras. Eu fiquei contente pra burro. Porque lá no Rio, escreveram assim ‘Caetano vai usar guitarras e quando chegar na Bahia vai tomar uma surra de berimbau’. Quer dizer, eles não sabiam que os baianos estão além (risos)”. Ai, ai... bons tempos em que a Bahia estava além e que Caetano falava menos bobagens.
Voltando ao documentário, ele é um presente aos amantes da música brasileira.
Uma noite em 67 é mais um dos filmes que podem ser vistos com os olhos fechados.


Minha nota: 7,6
IMDB:  7,4
ePipoca: 4,5


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310 - Elefante Branco (Elefante Blanco) – Argentina (2012)



Direção: Pablo Trapero
Roteiro: Pablo Trapero; Alejandro Fadel; Martín Mauregui; Santiag Mitre
O padre Julián (Ricardo Darín) e o padre Nicolás (Jérémie Renier) trabalham ajudando os menos favorecidos na favela de Villa Virgen, periferia de Buenos Aires. O local é um antro de violência e miséria. A polícia corrupta e os próprios sacerdotes da Igreja nada fazem para mudar essa realidade e os dois clérigos terão de por suas próprias vidas em risco para continuar do lado dos mais pobres.

O cinema argentino consegue manter uma média de uma participação de Darín a cada dois filmes. E um filme mediano a cada oito.
Elefante Branco mantém a primeira média e se encaixa como o “mediano” da segunda.
Talvez a produção tenha apostado na fórmula de “favela movie” que nos últimos anos projetou o cinema brasileiro para o mundo, com sucessos como Tropa de Elite e, sobretudo, Cidade de Deus – cases de produções com penetração no mercado externo. Por conta disso, os produtores devem ter visto nesse gênero uma oportunidade de ganhar alguns trocados.
No entanto, Elefante Branco não conseguiu reproduzir o realismo e o impacto que os filmes brasileiros tiveram. A película argentina acabou sendo muitas vezes metódica, caricatural e didática. O excesso de diálogos se preocupou demais em explicar a favela para os espectadores, em vez de apostar na força das imagens e no próprio enredo. Tal formato reforça a minha tese de que o filme foi feito “para gringo ver” e, portanto, precisava ser explicado para situar o espectador no contexto da periferia – algo desnecessário para nós brasileiros, mas talvez fundamental para o europeu.
O longo plano-seqüência inicial até me empolgou e me prometeu um filme bem elaborado. No entanto, a linearidade, previsibilidade e fragilidade do roteiro me deixaram desanimado.
Valeu por ver uma Argentina que eu nunca tinha visto no cinema. E só.


Minha nota: 6,6
IMDB:  6,6
ePipoca: -

Sugestão: Machuca

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

309 - Sedução (Belle Epoque) – Espanha (1992)



Direção: Fernando Trueba
Roteiro: Fernando Trueba; Rafael Azcona; José Sánchez
Na Espanha de 1931, soldado desertor passa noite em estalagem. Na manhã seguinte, prestes a partir, descobre que o homem que o hospedou tem quatro belas filhas e decide ficar, envolvendo-se com todas ao mesmo tempo. Oscar de melhor filme estrangeiro.

Sedução pode ser visto por quem quiser se divertir um pouco.
Por quem quiser apreciar uma comédia quase Shakespeariana.
Ou, simplesmente – e olhe que isso já é um argumento suficiente – por quem quiser ver Penélope Cruz e seus lindos 18 anos de idade.


Minha nota: 7,1
IMDB:  7,1
ePipoca: 5,3

Sugestão: Que morram os feios

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308 - Viajo porque preciso, volto porque te amo (idem) – Brasil (2010)



Direção: Marcelo Gomes; Karim Ainouz
Roteiro: Marcelo Gomes; Karim Ainouz; Eduardo Bernardes
A história de José Renato, geólogo, enviado para realizar uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar todo o sertão nordestino. O objetivo de sua pesquisa é avaliar o possível percurso de um canal que será construído a partir do desvio das águas do único rio caudaloso da região. No decorrer da viagem, nos damos conta que há algo de comum entre José Renato e os lugares por onde ele passa: o vazio, uma certa sensação de abandono, de isolamento.

Talvez o melhor do filme seja o título.
Logo atrás vem o excelente trabalho de montagem feito pelos diretores, que usaram imagens que inicialmente tinham outra finalidade (um documentário) e construíram uma ficção recheada de sentido.
Evidentemente que tal proposta traz alguns problemas ao filme. Em certos momentos ele é um pouco cansativo. Em outros, a narração do eu-lírico com dor de corno é um pouco piegas.
Mas, a própria extensão da obra - relativamente curta - faz uma dosagem certa, evitando que o filme se torne chato. Pelo contrário, ele é interessante, apesar de não ser nada grandioso.
Vale muito mais pelo experimentalismo na montagem e por sua fotografia. E pelo título, é claro.


Minha nota: 7,3
IMDB:  7,0
ePipoca: 3,8


Sugestão: Mutum

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

307 - O testamento do Dr. Mabuse (Das testament des Dr. Mabuse) – Alemanha (1933)



Direção: Fritz Lang
Roteiro: Fritz Lang
Uma rede terrorista está à solta em Berlim. Seu objetivo é promover caos e anarquia, utilizando-se de instruções do Dr. Mabuse, que encontra-se em um hospital para doentes mentais em estado catatônico. O inspetor Lohmann é o responsável pela investigação do caso, e vai apertando o cerco através de provas cada vez mais estranhas. O filme teve sua exibição proibida na Alemanha durante aproximadamente duas décadas.

Fritz Lang é uma mente brilhante.
Suas histórias e desenvolvimento narrativo são uma fonte a ser explorada por qualquer cineasta, em qualquer época. Em pleno 2012, ainda existe algo a ser extraído de suas obras.
Em O testamento do Dr. Mabuse a criatividade do diretor é um diferencial. Se a literatura tem diversas referências de boas histórias sobre suspense e mistério, o cinema de Fritz Lang e a própria filmografia alemã em sua origem contém o que há de melhor nesse gênero. Evidentemente, que o próprio desenvolvimento cinematográfico brindou o espectador com histórias tão boas e até melhores. Mas, não dá para desprezar a importância de alguns diretores pelo pioneirismo que acompanhava a qualidade de suas obras.
E Fritz Lang é um deles.


Minha nota: 8,1
IMDB:  7,9
ePipoca: -


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306 - Roma, cidade aberta (Roma, città aperta) – Itália (1945)



Direção: Roberto Rossellini
Roteiro: Roberto Rossellini; Federico Fellini; Alberto Consiglio; Sergio Amidei
Entre 1943 e 1944 Roma está sob ocupação nazista. A fim de evitar bombardeios aéreos, é declarada a condição de ''cidade aberta''. E para combater os alemães e as tropas fascistas, comunistas e católicos deixam suas diferenças de lado e se unem nas ruas.

Não há muito o que dizer sobre esse filme, pois quase tudo já foi dito.
“Clássico”, “um dos melhores filmes do mundo”, “uma aula de fazer cinema”, “um dos retratos mais críveis daquela época”, “a primeira grande obra do neo-realismo”, “um filme extremamente importante”, “cru”.
No entanto, é sempre bom ouvir críticas sobre obras “incriticáveis”. Das que eu vi, fala-se da mensagem controversa de Rossellini. Se critica o maniqueísmo proposto pelo diretor, desconsiderando a complexidade da época que inclusive colocava o Vaticano e a maioria da população italiana alinhados com o nazismo, ao contrário do que representa o filme, colocando o padre como um mártir e o povo como resistente ao regime fascista.
Todavia, com seus prós e contras, Roma, Cidade aberta é uma daquelas obras primas que já ocupou o seu lugar na história. E, mesmo que alguém diga que ele não é tão bom assim, de nada adianta, já que ele possui um status difícil de ser quebrado. Se ele é “tudo isso” ou “nem tanto”, agora pouco importa. O importante é que ele é uma obra fundamental na filmografia mundial.


Minha nota: 8,0
IMDB:  8,1
ePipoca: 7,7


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

305 - Primer (Primer) – Estados Unidos (2004)



Direção: Shane Carruth
Roteiro: Shane Carruth
Ganhador do grande prêmio do Júri no Sundance Film Festival 2004, conta a história de quatro amigos (e inventores amadores) que acidentalmente criam uma máquina do tempo.

Terminei o filme e fui logo para a internet. Acreditava que a maioria das pessoas compartilharia a mesma opinião que eu sobre o filme. Mas, me enganei.
Enquanto eu pensava: esse diretor só pode estar de sacanagem e rindo da cara de seus espectadores; a maioria dos comentários era de gente elogiando o filme.
É por isso que eu deixo a critério das pessoas a avaliação, mas vou logo dizendo que eu achei ele um lixo.
De todos os comentários, o que eu mais gostei foi o de uma menina que resumiu bem: “é uma idéia e não um filme”.
Exatamente! O que é apresentado na tela é uma teoria científica para a construção de uma máquina do tempo e seus possíveis desdobramentos. Os personagens não se privam de usar excessivos termos técnicos e diálogos rápidos com a provável intenção de confundir o espectador, como se isso corroborasse com o suposto realismo da tese.
Mas, justamente, ela poderia ser publicada em um artigo, em formato de texto. Mas, quiseram fazer um filme e o resultado foi menos cinema e mais ilustrações para a tese científica desenvolvida.


Minha nota: 4,9
IMDB:  6,9
ePipoca: 3,4

Sugestão: Donnie Darko

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304 - Rosetta (Rosetta) – Bélgica (1999)



Direção: Jean-Pierre Dardenne; Luc Dardenne
Roteiro: Jean-Pierre Dardenne; Luc Dardenne
A jovem e impulsiva Rosetta vive num trailer, com sua mãe alcoólatra e agressiva. Diariamente, ela sai à procura de trabalho como alguém que está indo para a guerra e, nesta sua luta cotidiana para sair da pobreza e levar uma vida "normal", vale tudo.

É, Rosetta, a vida não tá fácil pra ninguém.
Um ótimo filme, com uma brilhante atuação.
Eu poderia falar mais sobre as técnicas de direção e fotografia utilizadas, mas, nas minhas andanças pela internet, acabei achando um texto que explica melhor. A crítica é de Álvaro Andrade que, por coincidência, é meu amigo.
Para quem já viu o filme, recomendo esse texto.
Para quem ainda não viu, recomendo que veja.


Minha nota: 8,0
IMDB:  7,4
ePipoca: -

Sugestão: A criança

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domingo, 25 de novembro de 2012

303 - A greve (Stachka) – União Soviética (1925)



Direção: Sergei Eisenstein
Roteiro: Sergei Eisenstein; Grigori Aleksandrov; Ilya Kravchunovsky; Valeryan Pletnyov
Em 1912, durante o governo do Czar, a greve dos operários de uma fábrica é brutalmente reprimida pela polícia. Propaganda do regime soviético ao denunciar as barbáries do governo anterior.

Falar de Eisenstein é abrir diversas abas para discussão.
A partir dele, é possível debater linguagem cinematográfica; técnicas e conceitos de montagem; forma e conteúdo; cinema panfletário; ideologia política; arte.
E pensar que com apenas 26 anos ele fez A Greve, o que só fortalece o seu rótulo de gênio.
Não sei bem o que escrever sobre esse filme. Eu poderia me apegar a um determinado tema, como a questão política, por exemplo, e passar algumas páginas escrevendo. Mas, certamente, eu tenho muito mais o que aprender com Eisenstein do que escrever sobre ele.
Taí um artista que os próprios russos, comunistas ou não, devem se orgulhar de ter.


Minha nota: 7,9
IMDB:  7,7
ePipoca: 7,7


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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

302 - Nosso querido Bob (What about Bob?) – Estados Unidos (1991)



Direção: Frank Oz
Roteiro: Alvin Sargent; Laura Ziskin; Tom Schulman
Leo Marvin é um psiquiatra que atravessa o momento mais importante da carreira. Mas, sua vida é tumultuada quando lhe é passado um paciente extremamente inseguro, que quando descobre que seu terapeuta vai sair de férias fica desesperado e usa diversos ardis para descobrir onde seu médico está passando férias com a família, para ir atrás dele.

Ótimo filme, no melhor estilo Sessão da Tarde.
Nosso querido Bob é pra ser visto sem compromisso algum, apenas pra se divertir e dar boas risadas. Se for com a turma, ou com alguém especial, melhor ainda.
E não tenha medo de ver, caso você possua alguma fobia, toque, síndrome, pânico ou coisa parecida. No final das contas, você vai perceber que tudo no final se resolve, por mais traumático que seja o processo.
É só seguir o passinho do bebê. O passinho do bebê no consultório. O passinho do bebê no elevador. O passinho do bebê na padaria...


Minha nota: 7,0
IMDB:  6,0
ePipoca: 6,8


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301 - Filhos da Esperança (Children of men) – Estados Unidos (2006)



Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón; Timothy Sexton; David Arata; Mark Fergus; Hawk Ostby; P.D. James
Em 2027, num mundo caótico no qual os homens não podem mais procriar, um ativista concorda em ajudar a transportar uma mulher que milagrosamente está grávida. O objetivo é levá-la a um santuário, onde a criança poderá nascer a salvo e servir aos cientistas a fim de preservar o futuro da humanidade.

Eu não sei se eu me distraí e deixei passar alguma cena importante, que indicasse uma analogia filosófica (ou coisa parecida) para tudo que estava acontecendo. Mas, fato é que o que eu vi na tela foram apenas seqüências de perseguição, uma atrás da outra.
Talvez, se Cuarón priorizasse menos as cenas de ação e se dedicasse mais à proposta futurista, sob uma perspectiva política, filosófica ou sociológica, Filhos da Esperança ficaria mais interessante. Mas, até como filme de ação, ele deixou a desejar.


Minha nota: 6,1
IMDB:  8,0
ePipoca: 3,5


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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

300 - Hiroshima, meu amor (Hiroshima, mon amour) – França (1959)



Direção: Alain Resnais
Roteiro: Marguerite Duras
História de uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) que está em Hiroshima para participar de um filme sobre a paz. Durante as filmagens ela acaba se envolvendo com um arquiteto japonês (Eiji Okada) que sobreviveu ao bombardeio. Ele a faz relembrar seu primeiro amor, um soldado alemão que conheceu em Nevers, na França, no final da Segunda Guerra, período no qual foi perseguida.

É impressionante a capacidade humana de fazer poesia, mesmo diante de tanta monstruosidade e sofrimento.
De forma bastante delicada, Hiroshima mon amour faz revelar a paz, diante da guerra; a esperança, diante da loucura; o amor, diante do ódio.
E, tal como Vinícius de Moraes, faz brotar a poesia, diante das bombas. E dela, a rosa em Hiroshima.


Minha Nota: 8,5
IMDB: 7,9
ePipoca: 4,9


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299 - Líbano (Lebanon) – Israel (2009)



Direção: Samuel Maoz
Roteiro: Samuel Maoz
História baseada em fatos reais ocorridos em junho de 1982 (o primeiro dia da guerra do Líbano), quando quatro soldados israelenses da tropa de tanques são designados a acompanhar um pequeno grupo de companheiros por terra. A missão é invadir uma aldeia libanesa, ocupada basicamente por civis, e eliminar ali possíveis terroristas. À primeira vista uma missão rápida e simples, mas que em pouco tempo transforma-se num verdadeiro pesadelo.

A guerra no Líbano vivenciada, sentida e, sobretudo, vista por quatro jovens de dentro de um tanque de guerra.
Em alguns momentos chega ser angustiante a situação desses ingênuos e fracos militares. Mas, em muitos outros, o que mais é indigesto ao espectador são as cenas de violência, enquanto o tanque percorre o seu caminho. A mãe desesperada e os olhos do burrinho são de emocionar.
Líbano é um bom filme de guerra e sua originalidade consiste, sobretudo, na sua perspectiva: a partir da mira de um tanque.


Minha Nota: 7,4
IMDB: 6,9
ePipoca: 4,5


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

298 - Capitalismo: uma história de amor (Capitalism: a love story) – EUA (2009)



Direção: Michael Moore
Roteiro: Michael Moore
"Dessa vez é pessoal!" Esse é o slogan deste documentário do polêmico diretor Michael Moore, no qual tenta explorar as causas fundamentais do desmantelamento econômico global recente. Sem deixar de lado a ironia e a comicidade, Moore foca seu olhar para as manobras políticas e corporativas que culminaram naquilo que o diretor descreve como "o maior roubo na história do país".

Esse talvez tenha sido o filme mais digamos “sentimental” de Michael Moore.
Na sua primeira metade há um forte apelo dramático, que torna o documentário carente de informação e preso a sentimentalismos baratos, como filmar filhos chorando a morte da mãe, com uma musiquinha triste ao fundo. Até mesmo a religião foi usada de forma apelativa. Particularmente, acho que nessa primeira hora inicial, pouca coisa se salvou, exceto a apresentação do caso dos jovens presidiários devido a um esquema nefasto e a bem feita analogia entre a sociedade atual e a do império romano.
Já na segunda metade, o filme passa a ter elementos que sempre consagraram Moore. Daí em diante, são apresentadas denúncias, entrevistas com especialistas e políticos, além das “palhaçadas” de Moore, que são tão divertidas quanto coerentes.
E, por fim, o diretor transforma o filme em uma espécie de manifesto e apelo. Ele convoca os conterrâneos a se juntarem a ele nessa luta contra os grandes bancos e executivos de Wall Street e em defesa de uma sociedade mais justa, igualitária e, sobretudo, democrática.
Coincidentemente, vi esse filme no mesmo dia em que Obama foi reeleito. O presidente estadunidense é um dos personagens de Moore e nele o diretor deposita uma grande expectativa.
Para a possível frustração de Morre, Obama não resolveu os problemas que o diretor apontava, nem conseguiu implementar as políticas populares que ele tanto desejava. Bem verdade, Obama não foi tão imbecil quanto Bush, e ainda reduziu o ímpeto imperialista dos Estados Unidos, pautados em guerras e em cooptação de presidentes terceiromundistas. Pelo contrário, Obama se mostrou uma pessoa com boas intenções. Só que pouco adianta ter boas intenções, se não tem o poder.
Obama mostrou ao mundo que o presidente dos Estados Unidos não é o homem mais poderoso do planeta, como sempre aprendemos. Na verdade, anos de liberalismo e de capitalismo tornaram os banqueiros e investidores – ou seja, os donos do capital – os verdadeiros donos do mundo e, conseqüentemente, os que ditam as regras da sociedade. Obama até pode ter tentado, mas há pouca coisa que ele possa fazer sem o aval dos reais donos da grana.
Agora, o reeleito Obama terá mais quatro anos para dizer para que veio.
Até lá, continuamos em um sistema que permite que 2% das pessoas possuam a riqueza equivalente as da metade do planeta. Que um terço desses mais ricos se concentre nos Estados Unidos. Que 10% dos estadunidenses mais ricos possuam 70% da riqueza dos EUA. Que 1% dos brasileiros mais ricos possuam o mesmo que 50% dos mais pobres somados.
Mas, quem sabe, como levemente profetiza Moore, as revoltas nos países árabes, Grécia, Espanha e até mesmo nos Estados Unidos, não indiquem o surgimento de uma nova era.


Minha Nota: 7,7
IMDB: 7,4
ePipoca: 6,2

Sugestão: Trabalho interno

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297 - Um doce olhar (Bal) – Turquia (2010)



Direção: Semih Kaplanoglu
Roteiro: Semih Kaplanoglu; Orçun Köksal
A jornada de Yusuf, um garoto turco que parte em busca do pai pelas florestas que beiram o Mar Negro, tentando dar algum sentido à sua vida.

Dizem que esse filme é melhor compreendido após assistir os dois filmes anteriores da trilogia: Leite e Mel. Esse, se chamaria Ovo, mas foi traduzido para Um doce olhar.
Entendendo, ou não, a essência do personagem que percorre a trilogia, Um doce olhar permite uma relação praticamente sensorial.
O filme é poético, sensível e com uma fotografia de encher os olhos. As paisagens gritantes de uma natureza silenciosa são encantadoras. Os planos abertos constroem verdadeiros quadros, só faltando emoldurar e colocar na parede.
Um doce olhar é, sobretudo, um filme belo. Mas, dá um soniiiiinho...


Minha Nota: 7,3
IMDB: 7,1
ePipoca: 6,4

Sugestão: Mutum

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

296 - Pelle, o conquistador (Pelle erobreren) – Dinamarca (1987)



Direção: Bille August
Roteiro: Bille August; Martin Nexo; Per Olov Enquist; Bjarne Reuter
História passada no começo do século 19 mostra pai e filho suecos que vão para a Dinamarca e lá sofrem discriminação. O filme recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes.

Não deve ter muita coisa pior do que chegar na velhice de forma miserável e com a responsabilidade de cuidar de uma criança.
A humilhação por não ter forças para reagir a uma condição de contínua exploração e aceitar a submissão, é um dos piores sentimentos que se pode ter. E isso deve ficar ainda mais potencializado quando essa situação é contraposta à necessidade juvenil de ser livre e conquistar o mundo.
Pelle é doloroso, porém belíssimo. E é uma amostra de que exploração, preconceito, vergonha, humilhação, fraqueza, desilusão, impotência, crueldade e sonhos são universais.
Sim, os escandinavos também sofrem.


Minha nota: 7,8
IMDB:  7,7
ePipoca: 9,6

Sugestão: O porto

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295 - Rio, 40 graus (idem) – Brasil (1956)



Direção: Nelson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos
Clássico nacional, um quase documentário sobre o modo de vida dos cariocas. Mostra o Rio de Janeiro pela visão de cinco meninos de rua que vendem amendoim em diferentes pontos da cidade.

Rio, 40 graus é um presente para o Rio de Janeiro.
O filme traz uma representação social e cultural de um tempo “qualquer” da Cidade. Uma espécie de semi-documentário que permite qualquer indivíduo mergulhar na sociedade fluminense de outrora. De ser transportado aonde livro de história nenhum leva.
Rio, 40 graus está para o Rio de Janeiro, assim como Baía de Todos os Santos e A Grande Feira estão para Salvador.
Sem pieguismo e sem muito clichê, Nelson Pereira dos Santos percorre o morro, Copacabana, pontos turísticos, escola de samba e Maracanã, com uma normalidade e naturalidade que foge da ficção simbólica e alcança um realismo naturalista.
Para um carioca ufanista, imagino que essa seja uma obra obrigatória.


Minha Nota: 7,6
IMDB: 7,0
ePipoca: 7,8

Sugestão: Cinco vezes favela

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

294 - Film Socialisme (Film Socialisme) – França (2010)



Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard
"Film Socialisme" é uma colagem de cenas em diversas mídias - incluindo celular -, sem uma narrativa linear e pontuada por palavras como "coisas como estas". As coisas são, entre outras: um cruzeiro marítimo no Mar Mediterrâneo, a Guerra da Argélia, a Segunda Guerra Mundial, um cassino, uma boate, dois gatos, uma moça que imita um gato, comunismo, socialismo, religião, uma lhama, um burrico.

Como não dá para entender nada das choses que Godard faz, só resta admirar suas belas imagens e aproveitar o tour pela Grécia, Odessa, Egito, Barcelona e Nápoles. Isso se o tédio permitir.


Minha Nota: 5,9
IMDB: 5,9
ePipoca: 3,2


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293 - Sou Cuba (Soy Cuba) – União Soviética (1964)



Direção: Mikhail Kalatozov
Roteiro: Enrique Pineda Barnet; Yevgeni Yevtushenko
Uma visão poética de vários aspectos da vida em Cuba pouco antes da queda do regime ditatorial de Fulgêncio Batista, através de diversos episódios.

Eu sou Cuba, ou eu sou Brasil.
Onde os gringos vêm atrás de drogas, mulatas, festas e prostitutas. Onde somos vistos como um quintal, para que eles possam esfregar seus dólares nas nossas caras, enquanto esfregamos nossas bundas na cara deles.
Onde a multinacional, o latifundiário ou o grande investidor põe pra fora das terras o pequeno agricultor. Onde a grilagem é conquistada a partir da bala do capanga e legalizada através da caneta de um Gilmar Mendes da vida.
Onde, um dia, militares proibiram manifestações políticas, censuraram a imprensa, perseguiram os estudantes, assassinaram jornalistas e sitiaram todo um país.
Eu sou Cuba, onde, num belo dia, jovens armados desembarcaram em Sierra Maestra e mudaram para sempre a história desse país, até então, insignificante para o mundo.
Cuba, apesar de todos os acertos pós-revolução e de todos os erros pós-autoritarismo-de-Fidel, sempre será o símbolo de uma geração que um dia teve a esperança de romper com um modelo gerador de injustiças.
Cuba e Brasil: dois caminhos distintos, para a tentativa de superação de um mesmo problema.
Mas, Eu sou Cuba, além de tudo isso, é, sobretudo, uma aula cinematográfica. Seus planos, enquadramentos, plano-seqüência e movimentos de câmera são extremamente bem elaborados, com um primor técnico louvável. É a escola soviética reforçando o seu caráter de ter na forma uma importância igual ou maior que o próprio conteúdo (recorrentemente panfletário).


Minha Nota: 8,0
IMDB: 7,9
ePipoca: 4,4

Sugestão: Morango e chocolate

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