sábado, 13 de outubro de 2012

247 - Isto não é um filme (In film nist) – Irã (2011)



Direção: Jafar Panahi
Roteiro: Jafar Panahi
Documentário que retrata um dia na vida do cineasta iraniano Jafar Panahi, que está em prisão domiciliar, enquanto aguarda o parecer final da Justiça iraniana.

Antes de ser metalingüístico, o título do filme é, sobretudo, uma esquiva. Uma defesa a uma possível acusação de que “isto é um filme”. E, mesmo sendo um filme, ele ironicamente já anuncia: “isto não é um filme”.
Não é um filme, na verdade, porque não poderia ser. Aliás, ainda não pode ser, já que o diretor Jafar Panahi está proibido, pela Justiça iraniana, de fazer filmes ou escrever roteiros pelos próximos 20 anos, além passar 6 anos na cadeia. Pelo menos, essa era a pena na época do filme. Não consegui encontrar informações sobre sua situação atual e se sua pena foi reduzida, como esperava a sua advogada.
Tal censura e repressão se dá, de acordo com o filme, pelo fato de que câmeras são tratadas como armas de fogo e quem os utiliza são verdadeiros criminosos. Ao menos, no Irã, parece ser assim. E já que essa era uma das poucas armas que lhe restava, Panahi reuniu o seu tédio, sua revolta, sua resistência e sua criatividade e resolveu fazer esse filme.
Durante um dia, Panahi e um amigo resolveram filmar diversas situações, como a declamação e representação de seu último roteiro (não filmado), os acasos da rua, da vizinhança e dos noticiários, além de declarações do próprio Panahi. Algumas coisas dão certo, outras não. O “reality show” de seu cotidiano, por exemplo, é logo refutado pelo diretor e a representação de seu roteiro fica um pouco cansativa. Já a sorte do acaso faz um filme sofrer uma reviravolta nos seus últimos 15 minutos, saindo do total controle do diretor, alterando radicalmente o roteiro inicial proposto e elevando a riqueza, originalidade e experimentação de seu filme.
Em determinados momentos, a “causa” de Panahi se sobressai, em outras, a própria concepção de cinema, documentário, representação, linguagem e técnicas é que ganham espaço. Mas, de uma forma geral, o espectador pode ter a certeza de estar diante do último filme de Panahi. Ou não, devido à ousadia arriscada do diretor.


Minha nota: 7,7
IMDB:  7,8
ePipoca: 8,0

Sugestão: 33

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