Direção: Fritz Lang
Roteiro: Fritz Lang; Egon Jacobson;
Thea von Harbou
Inspirado em fatos reais, ''M'' narra a trajetória de um assassino sádico, que mata meninas, e ficou conhecido nos anais policiais como 'o vampiro de Dusseldorf '. Exemplo clássico do cinema expressionista, rodado praticamente todo em estúdio - onde era possível valorizar o contraste entre o claro e o escuro.
O que um roteiro inteligente não
é capaz de fazer.
M traz um suspense extremamente verossímil, que representa o
frenesi caótico de uma sociedade alarmada com um pedófilo à solta. Não é
difícil fazer comparações com o momento atual que o Brasil vive, mesmo o filme
tendo sido feito na Alemanha, na década de 1930.
“Extra, Extra! Novo crime!”.
Basta um sensacionalismo midiático para a população se envolver com um
acontecimento e vivê-lo como se fosse um personagem central. Quantos
brasileiros não foram detetives e jurados quando a menina Isabella Nardoni caiu
da janela em 2008!? A repercussão midiática que entrava pelo Fantástico e saia
pela Ana Maria Braga, mobilizou milhares de brasileiros, que comemoravam a cada
nova pista e se enchiam de ódio a cada indício que apontava o pai e a madrasta
como possíveis assassinos. Tudo isso, é claro, sem se desgrudar dos meios de
comunicação.
Em M é justamente isso que acontece. A repercussão da série de
assassinatos cometidos por um criminoso desconhecido leva a população a esgotar
os jornais e a respirar o caso 24 horas por dia. Tal situação acaba por
provocar um efeito direto nas pessoas, cuja desconfiança fazia as mães
recolherem seus filhos às suas casas e cada homem ser um potencial suspeito.
Frenesi semelhante ao que ocorre quando uma nova gripe do porco, da vaca, do
jegue é descoberto e supostamente atribuído à carne, ao suco de laranja, ao ar.
A histeria coletiva faz com que o indivíduo prontamente retire o suco e a carne
de sua dieta e, se possível, pare de respirar.
A desconfiança, aliás, gera
outro fator interessante. Sendo cada homem um possível criminoso, a polícia
passa a reivindicar o direito de tratá-lo como sendo um suspeito. Se abre mão
da privacidade, em nome da segurança. Isso me faz lembrar o documentário Santa Marta – Duas Semanas no Morro em
que há uma seqüência em que uma moradora questiona o comportamento dos
policiais, que revistam todos que sobem o morro. Para a polícia, todo o morador
do Santa Marta é um possível traficante. Assim sendo, em nome da suposta
segurança, cada um é obrigado a abdicar de sua privacidade e de seu primordial
direito de ir e vir para ser baculejado pela polícia.
Esse é o mesmo princípio adotado
pelos policiais em M.
Inevitavelmente, as batidas policiais em locais “suspeitos”, como em bares e
casas noturnas, geram o desconforto das organizações paralelas que lucram nesses
ambientes. Isso faz lembrar algo?
Pois bem, tal como na nossa
sociedade, o crime também se organiza e monta suas estratégias para achar o
criminoso, de uma maneira até mais inteligente que a própria polícia.
Mas, é melhor parar por aqui,
para não contar o filme todo. M é uma
obra magnífica de Fritz Lang, com uma história muito bem desenvolvida e que
empolga pelas possíveis analogias a se fazer e pela seqüência final, que faria
Kafka aplaudi-la de pé!
Minha Nota: 8,3
IMDB: 8,5
ePipoca: 8,0
Sugestão: Nosferatu
Download:
Filme impressionante. Adorei desde a primeira vez que o assisti.
ResponderExcluirTem destaque em minha videoteca.
Belo texto amigo.