segunda-feira, 13 de agosto de 2012

185 - O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet) – Suécia (1957)



Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Suécia, Idade Média. De volta das Cruzadas, o cavaleiro Antonius (Max Von Sydow) tem dúvidas sobre a existência de Deus. Ao seu redor, encontra apenas sofrimento e sua vila devastada pela Inquisição e a peste negra. Nesse cenário, ele trava uma batalha existencialista com a própria Morte, que o desafia para uma partida de xadrez.

- Eu vivo agora em um mundo de fantasmas, um prisioneiro em meus sonhos.
- Ainda assim, você não quer morrer.
- Sim, eu quero.
- O que você está esperando?
- Conhecimento.
- Você quer uma garantia.
- Chame do que você quiser.
- É tão difícil conceber Deus com os sensos de uma pessoa? Por que ele tem de se esconder numa neblina de vagas promessas e milagres invisíveis? Como iremos acreditar nos que acreditam quando não acreditamos em nós mesmos?
O que será de nós que queremos acreditar, mas não podemos? E quanto àqueles que não podem ou não irão acreditar?
Porque não posso matar Deus dentro de mim?
Por que ele vai vivendo em um sofrido, humilhado jeito?
Eu quero tirá-lo do meu coração, mas ele ainda continua em uma realidade assustadora que eu não posso me livrar.
Está me ouvindo?
- Estou te ouvindo.
- Eu quero conhecimento. Não crença. Não suposições. Mas, conhecimento.
Eu quero que Deus ponha sua mão, mostre seu rosto, fale comigo.
- Mas ele é mudo.
- Eu choro para ele no escuro, mas parece não ter ninguém lá.
- Talvez não tenha ninguém lá.
- Então a vida é um terror sem sentido. Nenhum homem pode viver com a Morte e saber que tudo é nada.
- A maioria das pessoas não pensam nem na morte ou no nada.
- Até que eles chegam no final da vida e vêem a escuridão.
- Ah, esse dia.
- Eu percebo.
- Devemos fazer do nosso medo um ídolo e chamá-lo de Deus.
- Você não é fácil.

- A Morte me visitou essa manhã. Estamos jogando xadrez. Esse adiamento me permite fazer uma tarefa vital.
- Que tarefa?
- Minha vida inteira tem sido uma procura sem significado. Digo isso sem amargura ou auto-condenação. Eu sei que é o mesmo para todos. Mas eu quero usar meu adiamento para uma ação significante.
- Então você joga xadrez com a morte?
- Ele é um tático bem habilidoso, mas ainda não perdi uma peça.
- Como você pode ganhar da morte?
- Com uma combinação de bispos e cavalos. Irei quebrar seu flanco.
- Eu devo me lembrar disso.
- Traidor! Você me trapaceou! Mas vou arranjar um jeito.
- Continuaremos nosso jogo nos dormitórios.
- Essa é minha mão. Eu posso movê-la. O sangue está pulsando em minhas veias. O Sol ainda está em seu apogeu.
E eu, Antonius Block, estou jogando xadrez com a Morte!


Minha Nota: 8,4
IMDB: 8,3
ePipoca: 4,5

Sugestão: Barravento

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