segunda-feira, 13 de agosto de 2012

184 - Sal de Prata (idem) – Brasil (2005)



Direção: Carlos Gerbase
Roteiro: Carlos Gerbase; Rudi Veronesi
Cátia e Veronese não combinam em nada: ela é economista e ele pretendente ser cineasta. Mas, eles se apaixonam, ainda que nenhum tenha o mínimo interesse pelo que o outro faz na carreira. Só que o destino força a jovem a descobrir o universo do cinema e conhecer melhor o que o amado realiza.

Tenho um carinho especial pelos filmes que começam com a exibição da logo da “Casa de Cinema de Porto Alegre”. Sempre que vejo me alegro por saber que é possível fazer cinema, sem precisar sair de sua terra natal e ir para o Rio ou São Paulo.
E Sal de Prata, como é comum nos filmes da Casa, não abre mão da metalinguagem para fazer um certo desabafo, misturado com uma homenagem ao próprio cinema. Amor e cinema – é o que motiva muitos dos nossos diretores a se aventurar pelo universo cinematográfico brasileiro.
Em Sal de Prata, Gerbase arrisca uma estrutura narrativa não-linear, confusa, porém interessante. Há um vai e vem na história, um entra e sai de representações e, em determinado momento, o espectador precisa parar um pouquinho para tentar entender em que tempo ele está e se o que ele está vendo é o filme ou o filme dentro do filme, ou o filme de dentro do filme de dentro do filme.
Mas, uma coisa me incomoda em alguns momentos. É quando o diretor usa a boca do personagem para falar algo que ele mesmo queria dizer. Como ele não pode entrar em cena, olhar para a câmera e falar, ele “corrompe” seu personagem e o utiliza como mero reprodutor de sua tese.
Por exemplo, na seqüência logo do começo, há um debate sobre o uso ou não do vídeo digital, em detrimento da película. Na verdade, aquela discussão não é dos personagens, mas de Gerbase. É ele quem se importa com essa questão, nas suas aulas e no seu cinema. Portanto, esse debate no filme nada mais é que a verbalização da tese que ele tem atrás das câmeras. Algo que ele acredita e poderia falar ou defender em uma entrevista para um jornal ou em um texto publicado na internet, mas prefere simular uma falsa discussão durante o seu filme. Acho isso ruim, destrói a verdade e o sentido do próprio personagem e da cena.
E não é só nessa seqüência que isso acontece. Outro exemplo é quando a personagem de Maria Cândido lê um roteiro e ingenuamente pergunta o que são as abreviações para o seu colega. Ele, prontamente, começa a dar uma mini-aula de roteiro, explicando os termos técnicos. Mais uma vez, não foi a personagem que quis saber essa informação, mas o diretor é que quis passar – provavelmente para brincar com a metalinguagem de algo que pertence ao universo dele, ao íntimo.
As referências também reforçam filme “discursivo” e retórico. Os quadros de filmes como Cidadão Kane, A Bela da Tarde e Laranja Mecânica são muito explícitos, praticamente esfregados na cara do espectador. Particularmente, prefiro algo mais sutil.
É por tudo isso e mais um pouco que achei o filme muito verbal e menos imagético. Muito teórico e pouco prático. Uma espécie de manifesto pessoal sobre o (seu) cinema. Faltou o diretor dar mais liberdade e autonomia aos seus personagens e, conseqüentemente, à sua própria história. Faltou Gerbase querer falar menos.
De qualquer forma, o filme é interessante, inteligente e tem algumas sacadas muito boas, como a seqüencia inicial, com Camila Pitanga – que aliás, também é Gerbase falando através da boca de Camila, mas que ficou bom.
Vida longa aos filmes da Casa de Cinema e à Gerbase, que desde o ano passado saiu da Casa, mas que segue trabalhando por amor e pelo amor ao cinema!


Minha Nota: 7,3
IMDB: 5,8
ePipoca: 6,3

Sugestão: 3 Efes

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