segunda-feira, 30 de julho de 2012

173 - O Demônio das Onze Horas (Pierre le Fou) – França (1965)



Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard; Lionel White
Cansado de sua monótona vida burguesa, Ferdinand foge com Marianne, uma mulher que já fora sua amante no passado. Quando um corpo é encontrado na casa dela, os dois saem em direção ao sul da França em busca de novas experiências de vida.

Tenho um certo receio de falar sobre os filmes de Godard. Sempre acho que posso estar falando a maior besteira do mundo, sobretudo porque inicialmente eu não gosto. Acho chato, cansativo, exagerado. Mas, depois quando eu começo a ler sobre o filme, rever algumas passagens e ouvir minha ex-professora Maria do Socorro analisá-lo eu começo a rever os meus conceitos.

Para não fugir à regra, a minha impressão sobre O Demônio das Onze Horas – que não faço a mínima idéia de por que traduziram com esse nome – foi que o achei um pouco entediante e difícil de assistir. Mas, reconheço que a “subversão” narrativa me interessou. As experiências de Godard com a linguagem cinematográfica podem não criar filmes prazerosos de se assistir, mas certamente abrem um leque de possibilidades e recursos para qualquer cineasta.

De O Demônio também se tira a belíssima fotografia, os acontecimentos inusitados, as cores e as canções, extremamente sedutoras na voz de Anna Karina. Tudo isso, compondo um experimentalismo estético e original, que dão riqueza ao filme.

Talvez, a melhor sinopse para a obra se resuma no seu próprio texto inicial, onde o personagem lê uma citação sobre Velásquez:
"Depois dos cinqüenta anos, Velásquez parou de pintar coisas definidas. Ele rodeava os objetos com o ar, com o crepúsculo, capturando na sua sombra e fundos atmosféricos... as palpitações da cor... que formavam o invisível núcleo de sua sinfonia silenciosa. Sendo assim, ele apenas capturava aquelas misteriosas interpretações de forma e tom que formam uma constante, uma progressão secreta, que não é traída ou interrompida nem por choques ou sobressaltos.”

E a partir daí, Godard constrói o seu filme.

Minha Nota: 7,5
IMDB: 7,6
ePipoca: 5,5

Sugestão: Os Incompreendidos

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Um comentário:

  1. Parabéns..........você teve coragem de dizer o que penso do diretor no começo do texto. kk

    Vi pouco de Godard. Amei Os Incompreendidos e Je Vous Salue, Marie, esse acho obra-mágica.

    Abraços

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