quinta-feira, 12 de julho de 2012

158 - Medianeras (Medianeras) – Argentina (2011)



Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto
Mariana, Martin e a cidade. Os dois vivem na mesma quadra, em apartamentos um de frente para o outro, mas nunca conseguem se encontrar. Eles se cruzam sem saber da existência do outro. Ela sobe as escadas, ele desce as escadas. A cidade que os coloca juntos é a mesma que os separa.

Um homem, uma mulher e o destino que insiste em causar o desencontro entre eles. As armas utilizadas: arranha-céu, ruas, frenesi, superpovoamento, isolamento, confusão, pânicos. Ou seja, tudo o que uma grande metrópole possui, o que amplia a distância entre você e o seu vizinho para milhões de quilômetros, mesmo que a internet se esforce para encurtá-la.

Mas uma das coisas que mais me interessou no filme foi uma cena (no instante 17:06), onde Martin passa pela rua e, por alguns segundos, pára para observar a arte da vitrine da loja de roupas, feita por Mariana. Para o filme, essa cena não acrescenta muita coisa. No entanto, ela me fez lembrar um vídeo que eu fiz sobre um dos principais grafiteiros de Salvador, Denis Sena. O vídeo é esse aqui



No seu final, a partir do instante 6:45, tive a sorte de flagrar um homem que passava pela rua e, diante do grafite de Denis, parou e fitou a imagem por alguns segundos, antes de voltar a seguir o seu caminho. Achei que essa imagem sintetizou tudo o que eu quis passar no vídeo de quase 8 minutos. Um simples detalhe, mas um gesto corriqueiro que faz toda a diferença no mundo frenético que vivemos.

Porém, o melhor de tudo, é que nesse dia eu poderia ter conhecido a mulher de minha vida – tal como o personagem Martin.

Mas, não conheci.

Quis o destino que eu terminasse de gravar e saísse poucas horas antes que ela viesse visitar Denis. Antes disso, eu também já tinha passado por ela, que estava no meu próprio apartamento, reunida com as amigas de minha irmã na sala, quando eu, pouco simpático, passei direto e sequer a vi. Depois disso, com o namorado, ela esteve no meu prédio, mas mal sabia ela que eu morava ali, afinal de contas ela não me conhecia. Impaciente, meses depois a orixá dela não quis mais saber de tantos desencontros e resolveu nos colocar no mesmo caminho, sem possibilidades de fuga. Hoje, estamos casados e nos aproximando dos 5 anos juntos.

Tudo poderia ser diferente, se tivéssemos nos conhecido no dia em que o homem parou para ver o grafite de Denis. Aliás, totalmente diferente. Mas, cá estamos nós, juntos nas nossas medianeras.

...

Duas curiosidades:
No começo do filme, sobretudo na cena em que a personagem brinca com sua foto-montagem do computador, a sua tatuagem encontra-se no pulso direito. Já da metade do filme em diante, a tatuagem está no pulso esquerdo.

Também existem referências ao Brasil. Em determinada seqüência a personagem mexe no computador, para selecionar uma música. Nesse momento, aparecem as pastas com os arquivos, incluindo alguns artistas e álbuns brasileiros, como: Ary Barroso, Bossa Nova Brasil, Bossa Nova Guitarra, e diversos discos de Baden Powell.


Minha Nota: 8,6
IMDB: 7,2
ePipoca: 9,9

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