quinta-feira, 12 de julho de 2012

156 - Feliz Natal (Feliz Natal) – Brasil (2008)



Direção: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello; Marcelo Vindicato
Homem que trabalha em um ferro-velho tenta montar o quebra-cabeça da própria existência e esquecer os fantasmas do passado. Perto do Natal e das festas de final de ano, ele tenta uma reaproximação com sua família disfuncional.

Estréia de Selton Mello na direção. É por isso que o filme transmite uma sensação muito mecânica, como se o diretor, com receio de errar, abusasse da preocupação nas cenas e as tornasse menos naturais e sutis. O hermetismo atrapalha mais do que ajuda.

Já em O Palhaço, é perceptível a evolução de Selton. Em seu filme mais recente, ele já não balança a câmera em demasia, nem abusa de certos recursos estilísticos. É “menos” pretensioso e mais leve, deixando o roteiro transcorrer com mais sutileza e, dessa forma, envolver o espectador.

Em Feliz Natal, apesar de ter um bom argumento e possuir uma estética que faz lembrar o Dogma 95 e sua Festa de Família, misturado com a carga fatalista de Iñarritu, Selton Melo não consegue atingir o equilíbrio necessário para alcançar o potencial que o filme poderia ter.

É um bom filme, mas não seduz tanto.


Minha nota: 7,5
IMDB:  6,6
ePipoca: 6,2

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4 comentários:

  1. Não gostei do filme. A atuação de Selton Mello não está muito boa.
    Ótimo texto!
    Visite também:
    mateus-leite.blogspot.com

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    1. Oi Mateus, valeu pela visita.
      Dei uma olhada no seu blog. É você mesmo que escreve? Com só 10 anos? Parabéns, garoto, continue assim que você vai longe...

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  2. gostei muito do filme Feliz Natal! Primeira direção de longa metragem do Selton Mello, pois antes acho que ele já fez outros trabalhos da sua direção. É um filme muito bem pensado,sentido em cada momento, cada frase, cada cena. Até o balançar a câmara diz algo,por exemplo, o colocar a câmara perto do rosto... é o "balançarmos" nos nosso pensamentos, ousarmos refletir em cada momento do filme. Situação de medo de errar? não me parece nem um pouco. Acho que nada nesse filme está colocado por acaso. Gênio mesmo, toca na ferida, que muitos teimam esconder em algumas famílias e inclusive no natal.Forçar alegria e felicidade numa data festiva quando não há? Fingir nessa data que algumas famílias estão todos unidos, quando nem conseguem comunicar, nem conseguem se compreender? Senti isto tudo e muito mais quando vi esse filme. A personagem principal ao longo do filme é "desprezado" pelos outros familiares, mas, no fim de contas, ele, apesar das memórias tristes que o persegue do seu passado, continua seu caminho, não estagna. E a Darlene Gloria, uau! Atriz fabuuulosa!

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    1. Oi Reina...
      Eu também gostei do filme. Comparado aos nacionais que vi recentemente, ele é um dos melhores. Mas, tem uma coisa sensorial que é difícil explicar. Algumas sequencias eu achei exagerada, hermética demais. A câmera balançando, por ex. Ela tem a sua função, para representar tudo isso que você falou, mas acho que balança demais, exagera demais. Em O Palhaço, por exemplo, eu vi Selton muito menos preocupado com os recursos estilísticos, fazendo com que o filme corresse com mais naturalidade e "liberdade". Enfim, difícil explicar, foi só uma questão de sensação mesmo. Mas concordo com as suas observações sobre o conteúdo do filme.... só em relação à forma que eu penso um pouco diferente.
      Mas, sim, é um ótimo filme.
      abraço

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