terça-feira, 10 de julho de 2012

153 - Redenção (Redenção) – Brasil (1959)



Direção: Roberto Pires
Roteiro: Roberto Pires
Um homem misterioso é hospedado em uma casa onde moram dois amigos. Quando eles ficam sabendo de um louco que fugiu do hospício, passam a suspeitar de seu visitante. Primeiro filme baiano.


A Tarde, 11 de março de 1959:
"Depois de quase três anos aguardando o lançamento do primeiro longa-metragem baiano, a população quase quebra o cinema Guarani. As entradas do cinema foram alargadas para tentar conter o empurra-empurra da população. O primeiro longa-metragem bateu o recorde de bilheteria do Cine Guarani em apenas uma semana. O Guarani e o Tupi, desde a matinal de domingo, têm suas lotações esgotadas. O Sr. Francisco Pithon, proprietário dos dois cinemas, confessou à nossa reportagem que obterá a maior renda nas suas casas de espetáculos desde as suas inaugurações".

Roberto Pires inventou a sua própria lente – o igluscope – e com ela o primeiro longa-metragem baiano. Um filme modesto, sem a “baianidade nagô” marcante nas representações cinematográficas do Estado, como em Barravento, O Pagador de Promessas, Ó Paí Ó, Bahia de Todos os Santos e até A Grande Feira, que o próprio Roberto Pires faria anos depois. Sem essa identidade, Redenção se pauta no clássico cinema estadunidense, com um drama policial, contendo suspense, assassinatos, mocinhos e trilha sonora sombria.

1959! Enquanto o mundo assistia Viagem ao Centro da Terra, Quanto mais quente melhor, Os Incompreendidos, Intriga Internacional e Bem-Hur, os baianos vestiam seu black-tie e lotavam o Cine Guarani. Como bem disse o locutor da época: “constituiu-se em um dos grandes acontecimentos da cidade de Salvador, o lançamento do primeiro filme de longa-metragem baiano: Redenção. Ao Cine Teatro Guarani, compareceram todos os artistas participantes da película, o prefeito dr. Heitor Dias e o ex-prefeito Sr. Gustavo Fonseca. O então governador, Antônio Balbino, também foi ver o lançamento do primeiro filme baiano. Foi inaugurado no Cine Guarani uma placa aludindo ao fato que marca o início da indústria cinematográfica na Bahia”. Trecho da avant-prèmiere pode ser visto no curta O Guarani, entre os instantes 3:40 a 4:18.


A partir daí, o cinema baiano não teve tanto o que reclamar. O público foi presenteado por grandes filmes e, sobretudo, por um debate político sobre a tão sonhada indústria cinematográfica e o seu papel social. Tivemos Glauber e o Cinema Novo, depois o Cinema Marginal e diversos outros com o seu próprio cinema. A Bahia acabou indo para o mundo e o mundo indo um pouco à Bahia.

No entanto, nem tudo são flores. Hoje, final de junho de 2012, a Bahia tem apenas um filme em cartaz: O Homem que não dormia, em um horário péssimo e em uma sala que não é lá essas coisas. Nas maiores salas de cinema, nenhum dos 10 filmes exibidos são baianos. Somente um é brasileiro (uma comédia global) e o restante são estadunidenses: comédias românticas e filmes infantis, com apenas uma exceção.

Na contramão do público, a produção continua sobrevivendo aos trancos e barrancos. Além de inúmeros curtas, impulsionados por dezenas de festivais e, sobretudo, pela vontade de seus realizadores, a Bahia ainda produz bons filmes. Com exceção de Capitães da Areia e Trampolim do Forte – filmes muito bem produzidos, mas fracos (Caetano discorda) – recentemente ainda tivemos Eu Me Lembro (Edgard Navarro), Pau Brasil (Fernando Belens), Antônio Conselheiro – o Taumaturgo dos Sertões (Walter Lima), Cidade Baixa e Quincas (Sérgio Machado), O Jardim das Folhas Sagradas (Pola Ribeiro), além dos que eu ainda não vi Esses Moços (José Araripe Jr.), Cascalho (Tuna Espinheira), Filhos de João (Henrique Dantas) e  O Homem que não dormia (Edgard Navarro) e dos que eu não me lembro no momento.


...

Algumas fontes e textos interessantes:

Redenção – 50 Anos (André Setaro)
Cinema na Bahia, memórias da cidade de Salvador (Maria do Socorro Carvalho / Tabuleiro das Letras)
2x50 anos de cinema na Bahia (Maria do Socorro Carvalho)
O Guarani (Cláudio Marques e Marília Hughes)
Ainda cá (Caetano Veloso)







Minha Nota: 7,2
IMDB: 8,9
ePipoca: -

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