quarta-feira, 6 de junho de 2012

109 - Machuca (Machuca) – Chile (2004)



Direção: Andrés Wood
Roteiro: Eliseo Altunaga; Roberto Brodsky; Mamoun Hassan; Andrés Wood
Em 1973, enquanto o Chile enfrenta o golpe político promovido pelo General Augusto Pinochet, dois amigos, de classes sociais diferentes, lidam com as transformações pelas quais passam.

“Yo no vivo aquí. Vivo al lotro lado del río. No, por favor. No tengo nada que ver com eso. Mírame.”

Se essa frase tivesse sido dita por um adulto, a compreensão do espectador seria mais pobre, cairia no julgamento fácil: “Hijo de puta”. Mas, dita por uma criança, muda tudo. Não dá para sentenciá-lo (por mais puta que seja a sua mãe). O xingamento fácil dá lugar a um silêncio implosivo, doloroso. E se fosse conosco? Será que seria tão fácil assim? Resta a sensação de que a onda que arrasta as nossas vidas às vezes é mais forte que nós mesmos. De vez em quando ela vem como uma enxurrada, que nos permite pouco tempo para pensar e menos ainda para agir. São nessas horas que corremos o risco de expor o nosso lado mais mesquinho, preconceituoso e covarde.

E é sempre bom lembrar que, além do drama de Machuca, o Chile viveu momentos difíceis a partir da década de 70 – qualquer semelhança com o Brasil, Argentina e demais países latino-americanos não é mera coincidência.

Salvador Allende, que havia sido eleito democraticamente e que mantinha o Estado de Direito no Chile foi deposto e morto* por militares financiados pelo governo dos Estados Unidos. Em seu lugar assumiu Pinochet, que comandou o Chile de 1973 a 1990.

Durante a ditadura militar foram mortas 3.225 pessoas e 37.055 torturadas, em um total de mais de 40 mil vítimas do regime. Estima-se, porém, que esse número deve ultrapassar os 100 mil. Esses dados, oficiais, só foram possíveis devido aos trabalhos da Comissão da Verdade e Reconciliação do Chile.

Pinochet foi acusado de enriquecimento ilícito e julgado por crimes contra a humanidade. Ele, finalmente, morreu no dia 10 de dezembro de 2006. Ironicamente, no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Minha nota: 7,5
IMDB:  7,7
ePipoca: 7,7

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4 comentários:

  1. Tadinho do racista, eugenista Salvador Allende.
    O Pinochet ainda perde de goleada, em número de vítimas, pro Fidel. E este, infelizmente, não morre. Só falta morrer no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

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  2. acho que falta pessoas para compartilhar o torrent.....teria outra alternativa para o download ?

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    Respostas
    1. Claudio, o link para download tinha expirado, acabei de atualizá-lo. Era esse o problema? Mas se você já tinha o torrent, mas não tá baixando, posso tentar achar outra opção de torrent e postar aqui.
      abraço
      Az

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