sexta-feira, 20 de abril de 2012

59 - Boca de Lixo (Boca de Lixo) – Brasil (1992)


Direção: Eduardo Coutinho
Roteiro: Eduardo Coutinho
Coutinho, um dos grandes nomes do cinema documental brasileiro, adentra o lixão de Itaoca, em São Gonçalo-RJ, atrás de uma visão dos próprios dependentes do lixo sobre suas condições.
Minha relação com o cinema documentário se divide em dois momentos: antes e após Eduardo Coutinho. Depois que eu conheci, pesquisei e estudei as obras desse cineasta foi que eu pude aumentar minha sensibilidade para questões de técnica, estética e ética que permeiam os documentários.
Coutinho preza por esses três aspectos, mas é a sua responsabilidade ética que mais me chama a atenção. Como respeitar o objeto filmado, sendo que este é um ser humano? Ou seja, filmar um indivíduo não é a mesma coisa que filmar um saco de batatas. Parece óbvio, mas na prática temos diversos exemplos negativos. Os telejornais, por exemplo, nos enchem de imagens viciadas, aonde olhamos para José da Silva e não enxergamos José da Silva, enxergamos um homem sofrido, batalhador; ou um miserável, que ainda consegue ser feliz e brincalhão, como um verdadeiro brasileiro; ou um viado; ou um saco de batatas. Vemos imagens, de objetos ou pessoas, que apenas estão lá para ilustrar a matéria e representar o que a repórter fala em seu texto. O íntimo, o pessoal,  exclusivo do ser humano quase pouco é penetrado.
Coutinho faz isso como ninguém. Ajuda a perdermos os vícios do nosso olhar e enxergar – e sobretudo, ouvir – o José da Silva. Boca de Lixo é um exemplo disso. A técnica não é tão boa; a estética ainda tímida, sobretudo se comparada às suas demais obras quer estariam por vir; mas a ética de Coutinho é inconfundível.
Minha nota: 7,4
IMDB:  8,4
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