segunda-feira, 9 de abril de 2012

22 - O Prisioneiro da Grade de Ferro (idem) – Brasil (2004)

Direção: Paulo Sacramento
Roteiro: Paulo Sacramento
Rodado antes da desativação do Carandiru, este documentário dá aos detentos uma câmera para que registrem, eles mesmos, como é a vida atrás das grades.

Desde que eu passei a estudar as obras de Eduardo Coutinho, documentário, para mim, deixou de me instigar apenas pelo conteúdo, mas também pela linguagem. O Prisioneiro da Grade de Ferro traz, como contribuição à estética do documentário, o método de utilizar os próprios presidiários como diretores ou cinegrafistas de suas próprias cenas. A idéia seria trazer “um filme sobre nós, feitos por nós mesmos”, como se isso trouxesse mais veracidade à realidade representada, à medida que se distanciasse do olhar estrangeiro daquele “que filma, mas que não é presidiário como a gente”.
De fato, o filme traz uma experiência interessante, sobretudo pelo campo imagético. É curioso ver alguns detalhes em cena, captadas a partir da sensibilidade daquele que filma e que faz revelar objetos, situações e pormenores do ambiente em que vivem e que passaria despercebido pelo “estrangeiro”. O conteúdo, sobretudo os depoimentos, são mais “discutíveis”. Não do ponto de vista das histórias, que realmente sensibilizam e fazem o espectador refletir, mas no nível da linguagem.
A falta de um diretor, apontando a câmera e entrevistando o indivíduo leva a crer que a fala do personagem será mais espontânea e, portanto, mais verdadeira. Será? Diante da câmera, todos interpretam, independente de quem filma. Portanto, inevitavelmente, a fala já vai estar um pouco condicionada ao “que o outro quer ouvir”. É por isso, que o filme apresenta uma linearidade nas falas, que acabam por abordar o mesmo tema: suas vidas orbitando a prisão (antes, durante e depois, crime, culpa, saudades, etc.). Isso revela o quanto é complexo o cinema documentário e sua busca pela representação do real e sua utópica tentativa de se alcançar a verdade, a espontaneidade e o real. Utopia essa que nunca se chegará, mas que fará com que se caminhe, como já sentenciava Eduardo GaleanoEsse filme contribui, portanto, para o contínuo estudo da linguagem cinematográfica do documentário.
Minha nota: 7,3
IMDB:  7,6
MelhoresFilmes: -

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