quarta-feira, 4 de abril de 2012

10 - O Homem que Virou Suco (idem) – Brasil (1981)


Direção: João Batista de Andrade
Roteiro: João Batista de Andrade
Cantor de cordel é confundido pela polícia de São Paulo com operário que esfaqueou o patrão. Bem-humorado e inteligente estudo sobre a classe operária. Medalha de Ouro no Festival de Moscou, o filme abriu as portas do Leste europeu para o cinema brasileiro.

Taí um filme que não fica atrás dos de Glauber Rocha. Se a linguagem é ousada, mas nem tanto, a originalidade da abordagem é o grande trunfo da obra de João Batista de Andrade. A temática das dificuldades do nordestino na cidade grande é recorrente no cinema nacional ainda hoje, apesar do fluxo migratório já ter tomado outros rumos. No entanto, em O Homem que virou suco essa questão vai além da mera representação do nordestino e traz questões particulares, existenciais, que atingem o indivíduo, independente da sua origem.
O personagem do brilhante José Dummont carrega um discurso que dá um tapa na cara da sociedade e das políticas públicas ainda hoje, em pleno 2012. Traz uma revisão sobre a questão do trabalho e o quanto é confortável para a elite e para o Governo discutir a geração de empregos, pautado apenas em números e esquecendo-se da carne viva que está na labuta.
Em 2012, a construção civil foi o maior responsável pelo “crescimento” de Salvador, Recife e Fortaleza. Os índices de desemprego nessas regiões e no país são os menores dos últimos tempos. No entanto, o que esses números não traduzem, é que nem todos os seres humanos estão dispostos a passar o dia todo carregando sacas de laranja, lavando o chão do quarto da patroa, ou apertando botões. Nem todos os nordestinos querem se despir da bravura “lampiônica” que corre em seus sangues ou abrir mão da poesia de seus cordéis, para cair no modelo de desenvolvimento que mantém o status quo, aliena e embrutece o homem. Nem todos estão dispostos a aceitar pacificamente e passivamente o sistema imposto e virar suco na mão de uma sociedade e um Estado que dita as regras do desenvolvimento, onde cada vez menos há espaço para a poesia, o ócio, a educação, a arte e, sobretudo, a liberdade de escolha.
Minha nota: 8,3
IMDB:  7,0
MelhoresFilmes: 7,8

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