terça-feira, 3 de abril de 2012

06 - Adivinhe quem vem para jantar (Guess who´s coming to dinner) - EUA (1954)


Direção: Stanley Kramer
Roteiro: Wiliam Rose
Uma família de classe média americana tem que lidar com o novo noivo da filha: um jovem inteligente, culto e negro. Oscar de melhor atriz (Hepburn) e roteiro. História polêmica para a época por discutir diretamente o racismo.

Muito provavelmente, em 1954, abordar a questão racial no cinema deveria ser um tabu. Esse é o mérito do filme de Kramer, revelar a hipocrisia de uma sociedade preconceituosa, que via como inconcebível uma relação amorosa entre um negro e uma branca. Outro ponto positivo é que não é simplesmente denunciado o racismo do branco, mas também o posicionamento do negro diante de um caso como esses, revelando que o problema vai além de um estereótipo racial e envolve questões de cunho psicológico, social e cultural.
No entanto, Kramer é muito tradicional na linguagem cinematográfica. Faz o feijão com arroz bem comportado dos cinemas de estúdio de Hollywood, o que para mim é um ponto fatal. Além disso, sustenta um discurso conservador, camuflado de liberal ao “argumentar” a favor do casal. As principais características do personagem negro é que ele é um importante acadêmico e economicamente bem resolvido, quando, na discussão racial, o mais interessante seria destacar o fato dele ser humano. Ou seja, não haveria problema de ele se casar com uma branca, pois ambos são seres humanos, pouca importa a cor. No entanto, o discurso – creio até que bem intencionado – ficou sendo: eles devem se casar, pois, “apesar” de ele ser negro, ele é bem letrado, uma figura importante do meio acadêmico e bem de vida.

Minha nota: 6,7
IMDB:  7,7
MelhoresFilmes: 8,2

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2 comentários:

  1. Para uma reflexão: será que Kramer não está mostrando o que nós realmente somos e não o que achamos que somos ?
    Todos nós somos realmente despidos de qualquer preconceito ou preferimos, apenas, achar que não temos, mas não enfrentar qualquer situação que nos ponha à prova ?

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  2. Concordo com sua análise do filme colocar um "apesar de negro, ele é um acadêmico bem sucedido". Também me incomoda o fato de nem o Diretor, nem o roteirista serem negros, o que me faz sentir falta de um lugar de fala apropriado para falar de racismo. Acho interessante o papel do amigo da Familia, monsenhor, ficar calado, uma vez que a igreja teve papel decisivo na implantação do racismo. No mais, acho um excelente filme.

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